Da redação
Áudios localizados no celular de Cléber Azevedo dos Santos, apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e alvo das Operações Recidere, Bazaar e Janus, revelaram um esquema de pagamento de propina relacionado à lavagem de dinheiro de doleiros. As gravações foram enviadas pela Polícia Federal ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco).
Com base nestes áudios, Gaeco, Polícia Federal e Corregedoria da Polícia Civil deflagraram a Operação Bazaar, que teve como alvo um suposto esquema de corrupção envolvendo quatro delegacias e uma divisão de três departamentos da Polícia Civil de São Paulo. Na ocasião, as autoridades cumpriram 25 mandados de busca e apreensão, 11 de prisão e seis de intimação para medidas cautelares, envolvendo membros do grupo, advogados e policiais.
As provas também sustentaram a Operação Janus, que resultou em pedido de prisão de 18 acusados, 11 dos quais foram detidos. O Gaeco afirmou que “os áudios obtidos nas extrações analisadas evidenciam, de forma clara, a atuação dos investigados como agentes de promoção e financiamento da facção”, incluindo conversas entre advogados e policiais sobre ofertas de propina, como a proposta de R$ 100 mil para obstruir investigações.
Investigações da Operação Janus indicaram relações próximas entre operadores financeiros do PCC e coronéis da Polícia Militar, como Luiz Carlos Pereira Martins e José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da PM e da Rota, que não foram alvos diretos da operação. Coutinho pediu demissão e foi exonerado em 16 de abril após depoimento do promotor Lincoln Gakiya sobre venda de informações ao PCC.





