Da redação
No bairro do Zambujal, na Amadora, região metropolitana de Lisboa, Portugal, um projeto iniciado durante a pandemia de Covid-19 usa arte urbana para promover inclusão social e sustentabilidade. Coordenado por Vítor Monteiro e Mário Linhares, o Zambujal 360 integra os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU em murais que atraem visitantes.
Os murais, criados em parceria com a associação CAZAmbujal, representam histórias reais dos moradores e cada um aborda um dos ODS. Segundo Monteiro, “começámos a perceber que podíamos ter histórias reais ligadas aos 17 ODS”. A proposta busca fortalecer o sentimento de pertencimento e a economia local, sendo apresentado como o primeiro bairro social do mundo a assumir esse papel.
A ideia provocou desconfiança inicial entre alguns moradores, como lembra Ana Martins, residente há quase 30 anos, mas o envolvimento cresceu após o convite para participarem ativamente das decisões. “Acompanhei todo o processo de pintarmos o prédio. Envolvi-me, eu e mais duas ou três vizinhas”, conta. Reuniões, visitas guiadas e debates estreitaram a relação entre a comunidade e os artistas.
Segundo Mário Linhares, o engajamento da comunidade foi condição essencial: “Era impossível um artista vir cá pintar sem reunir com os moradores, sem discutir os temas com a comunidade.” Igor Ramos, morador desde 1999, relatou as contribuições para a execução dos murais, como fornecer apoio logístico, refeições e espaço físico para os artistas durante a realização dos trabalhos.
Os murais tratam de temas como igualdade de gênero, paz, educação e solidariedade. Entre os trabalhos destacados, há a representação de uma moradora da comunidade cigana que, conforme Monteiro, “lutou com todas as suas forças para conseguir levar a avante o amor da sua vida”. O bairro, antes estigmatizado, passou a atrair visitantes interessados em conhecer suas histórias.
Com cerca de três mil habitantes e origem nos anos 1970, o Zambujal sempre apresentou diversidade cultural. Atualmente, a chegada de visitantes e o reconhecimento de figuras como Melissa Fleming, subsecretária-geral da ONU para a Comunicação Global, reforçam a ideia de replicar o projeto em outros contextos. Para Ana Martins, “somos um bom exemplo para o mundo. Cada vez gosto mais de aqui viver.”







