Início Política Banco Digimais de Edir Macedo investiu R$ 271 milhões em papéis podres...

Banco Digimais de Edir Macedo investiu R$ 271 milhões em papéis podres do Besc


Da redação

O banco Digimais comprou R$ 271,4 milhões em títulos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) por meio do fundo Betel, conforme dados enviados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) à CPI do Crime Organizado do Senado. O Digimais era o único cotista do Betel, segundo informações oficiais, e todo o recurso estava aplicado em cártulas do Besc, representando 82% de seu patrimônio líquido, de acordo com o balanço mais recente. O banco afirmou que o Betel não faz parte de seu portfólio desde outubro de 2025, mas a informação é contradita pelos dados encaminhados à CPI.

De acordo com investigações, a estratégia se assemelha à realizada pelo Banco Master, cujo fundo ligado à instituição comprava títulos do Besc como se tivessem grande valor, com o objetivo de inflar artificialmente ativos e viabilizar a retirada de recursos via empréstimos. Tanto os fundos do Master quanto os do Digimais foram administrados pela Reag, gestora liquidada pelo Banco Central, sob acusação de violar normas do sistema financeiro. Os investigadores apuram se familiares e aliados de ex-banqueiros usavam estruturas semelhantes para desviar recursos das instituições.

A Polícia Federal investiga o Digimais por suposta manipulação de relatórios financeiros para aparentar maior solidez diante dos órgãos de controle. Os métodos identificados incluem a compra de precatórios e artifícios para inflar o patrimônio, prática que permitiria ampliar a captação de dinheiro no mercado. O balanço divulgado aponta prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre do ano. Entre os crimes sob apuração estão gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos e operações de crédito vedadas pela legislação.

O fundo Betel foi constituído em abril de 2025 sob outra denominação e, dois meses depois, mudou para o nome atual, com todas as cotas compradas pelo Digimais. Os papéis foram adquiridos de outros dois fundos ligados à Reag, que já haviam figurado em operações semelhantes no Banco Master. Segundo o Tesouro Nacional, as cártulas do Besc têm hoje apenas valor histórico, pois os ex-acionistas foram convertidos para ações do Banco do Brasil quando o Besc foi incorporado em 2008.