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Contrato questionado

Os problemas para Agnelo Queiroz não cessam. Querendo ou não, ele terá de dar explicações ao TCDF sobre o compromisso assinado, sem licitação, com a empresa de Cingapura contratada para fazer o planejamento econômico do Distrito Federal no próximos cinquenta anos. A contratação já provoca ameaça de desembarque de partidos que compõem sua base aliada local.

Os senadores do DF Rodrigo Rollemberg e Cristovam Buarque vão procurar o tribunal da segunda-feira para que o contrato seja investigado. Ambos já pediram cópias dos termos assinados com a empresa, há cerca de 15 dias. Até agora, porém, nenhuma informação foi enviada pelo governador.

Fonte: Lauro Jardim

Vereadores tiram prefeito por não pagar os salários em dia

Sem pagar os salários dos funcionários e aposentados há três meses, o prefeito da cidade de Maribondo (a 63 km de Maceió), José Márcio Tenório de Melo (PSC), foi afastado do cargo pelos vereadores no mesmo dia em que sindicatos da cidade se uniram para uma campanha beneficente: arrecadar alimentos para ajudar a população, que não tem o que comer por causa dos salários atrasados. O prefeito culpa o governo federal pelo atraso.

A campanha arrecadou alimentos que formaram cestas básicas e foram distribuídas na porta da Câmara de Vereadores da cidade. A aposentada Maria Nazaré não tinha mais o que comer em casa. “Não tem nada na dispensa”, contou. O aposentado Nestor Ronaldo dos Santos chorou ao receber o donativo. A cesta básica ajudaria a encher as panelas para a primeira refeição do dia. “Só Deus nos ajuda”, disse.

Maribondo tem mais da metade da população abaixo da linha da pobreza. Por isso, quando o salário atrasa, a situação preocupa e o pequeno comércio da cidade entra em colapso. Postos de saúde e escolas do município estão em greve há 50 dias, sem data para o retorno aos trabalhos.

O prefeito alegou que não tem dinheiro para pagar os salários. Ele diz que com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, o IPI, o governo federal cortou os repasses para os cofres de Maribondo. “Não tenho como pagar os salários dos servidores”, afirmou.

Fonte: Notibras

Definição

Rosso fará o que Kassab mandar.

Rogério Rosso, presidente do PSD brasiliense, vai disputar uma cadeira de distrital. Acredita que se elege e leva junto dois correligionários. Se a aliança for com o pretendido repeteco do Novo Caminho, o número pode aumentar.

Fonte: Notibras

Liliane bate pé e cobra ficha limpa para a área da saúde

Liliane quer abrir a caixa preta que está nas mãos de Rafael Barbosa.

Liliane Roriz (PSD) que já não via com bons olhos a administração de Agnelo Queiroz, resolveu esmiuçar o Governo do Distrito federal e não deixar sem resposta o vazio existente não apenas no Palácio do Buriti, como de resto nas secretartias de Estado e administrações regionais.

O último exemplo veio no episódio do veto, pelo governador, da chamada lei da Ficha Limpa na Saúde. O Palácio do Buriti vetou a proposta aprovada pela Câmara Legislativa com argumentos fáceis de derrubar. Como será fácil, também, derrubar o veto, mantida a coerência dos deputados.

Contrariada (e com justiça) com os argumentos apresentados pela Secretaria de Saúide, a deputada emitiu nota pública, repudiando a desculpa de Rafael Barbosa para não dar mais transparência à secretaria que dirige.

A nota de Liliane Roriz tem o seguinte teor:

1.  Ao contrário do que foi divulgado pela Secretaria de Saúde, nenhum dos itens incluídos na lei batizada de Lista Limpa da Saúde estão divulgados na internet;

2.  O projeto foi elaborado com o intuito de obrigar o governo a fornecer, em tempo real, informações sobre a quantidade disponível de leitos de UTI e de remédios em estoque, inclusive na Farmácia de Alto Custo, uma vez que o sistema é mantido com o dinheiro proveniente de impostos pagos pelo contribuinte;

3.  A publicidade dessas informações implicaria no controle maior, por exemplo, das internações direcionadas por determinação judicial à rede particular de saúde, que oneram consideravelmente os cofres públicos;

4.  Nessa mesma linha de raciocínio, outro ponto defendido pelo projeto é o de dar publicidade, também na internet, à lista de cirurgias eletivas, revelando a quantidade de pessoas que aguardam por intervenção médica específica;

5.  Conforme é previsto em lei e consta claramente no projeto, será preservada a divulgação de informações confidenciais, como nome de pacientes internados ou aqueles que aguardam por uma cirurgia na rede pública;

6.  Não cabe a justificativa de que a lei, se aprovada, criará custos para o Executivo, uma vez que alternativas administrativas, como remanejamento de servidores, poderiam servir com o fim de atualizar as informações diariamente, como já é feito para o sistema acessado pelo próprio Ministério Público do DF;

7.  Ao deixar de sancionar a lei, o governo do Distrito Federal perdeu a grande chance de ficar marcado na história de nossas cidades como uma gestão que primou pela transparência pública de seus atos;

8.  Com isso, agora a Câmara Legislativa assume o papel de analisar a justificativa do Executivo e, após, decidir se deve ou não derrubar o veto do chefe do Executivo local;

9.  A transparência de todo esse processo é a alternativa economicamente mais viável e administrativamente mais correta e coerente de garantir um bom e moderno serviço ao cidadão, que espera o retorno do pagamento de seus impostos em benefícios e inovações de um governo que realmente pensa na população.

Liliane Roriz

Deputada Distrital

Fonte: Notibras

TCDF: Governo não atinge aplicação mínima de recursos na educação

No primeiro semestre deste ano, o Governo do Distrito Federal não cumpriu os limites mínimos de aplicação de recursos na Educação.

Por isso, o Tribunal de Contas do DF emitiu um alerta ao secretário da pasta, Denilson Bento da Costa, e determinou que ele compense a insuficiência de investimentos nos próximos meses, seguindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

No 1º e no 2º trimestres de 2012, os gastos na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino – MDE também ficaram abaixo do mínimo estabelecido pela Constituição Federal.

Houve uma redução de 14,4% em comparação à despesa realizada no 1º semestre/2011. A aplicação mínima exigida era de R$ 1.360.960.438,26. Os gastos no período foram de 1.169.211.300,76. O déficit, portanto, foi de R$ 191.749.137,50.

Também houve um déficit nas aplicações no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB. O total das despesas com o Fundo ficou R$ 151,8 milhões abaixo do previsto para o período.

Apesar de não ter alcançado os valores mínimos de aplicação em MDE e FUNDEB, ao final dos primeiros seis meses deste ano, o investimento do GDF no pagamento de profissionais do magistério da Educação Básica ficou 16,6% acima do valor determinado pelas normas.

Fonte: Blog da Lilian Tahan

Três empresas ligadas a Canhedo foram inabilitadas para disputar licitação de ônibus

Três empresas ligadas ao empresário Wagner Canhedo Filho foram inabilitadas no processo de licitação para escolha do novo modelo do Sistema de Transporte Público Coletivo, que na prática deve renovar a frota de ônibus do DF.

Das nove empresas que apresentaram documentação, três eram ligadas a Canhedo: Viplan, Planalto Rio Preto e a Santos&Pradelas.

No dia 19 de setembro, o Correio Braziliense publicou reportagem em que relatou a manobra do grupo de Canhedo, que é dono de 850 ônibus ou um terço da frota, para ter mais chances de vencer a concorrência aberta pelo GDF e assim permanecer no mercado do transporte da capital federal.

A reportagem mostrou as ligações das empresas Rio Preto e Santos&Pradelas com o grupo de Canhedo. No final de 2010, ele repassou ônibus de firmas oficialmente em nome dele para a Planalto Rio Preto, que agora tentava participar da licitação do GDF. A Santos& Pradelas, por sua vez, pertence à mesma família que é dona da Rio Preto.

As duas firmas, aliás, funcionavam no mesmo endereço que a Transportadora Wadel, também do grupo de Canhedo.

A transferência dos ônibus do grupo oficialmente de Canhedo para as firmas recém-chegadas em Brasília era uma tentativa de referendar a capacitação técnica das empresas que atuavam em benefício dos interesses de Canhedo. Mas não funcionou, pois o governo não reconheceu a operação de transferência.

No dia seguinte à denúncia publicada no Correio, o DFTrans emitiu um parecer no qual afirmou ter encontrado indícios de ato simulado entre as empresas, o que determinaria a nulidade da participação das mesmas.

A comissão de licitação seguiu o entendimento do DFTrans e considerou que a Rio Preto e a Santos&Pradelas apresentaram atestados fora dos padrões exigidos no edital. Sobre a Viplan, a comissão considerou que faltaram certidões. A empresa está em processo de recuperação judicial.

O grupo Canhedo, no entanto, ainda pode recorrer da decisão.

Confira quais as três empresas foram habilitadas para permanecer no processo:

Cidade Brasília
Pioneira
São José

Fonte: Blog da Lilian Tahan

ACM Neto imita Lula: esperança contra o medo

Candidato do DEM à prefeitura de Salvador, ACM Neto adotou contra o rival do PT Nelson Pelegrino um bordão usado por Lula na campanha presidencial de 2002 e reutilizado por Dilma Rousseff na sucessão de 2010: a esperança vai vencer o medo.

Fustigado pelo próprio Lula, que já esteve duas vezes em Salvador para atacá-lo, ACM Neto levou ao ar um vídeo no qual dirige-se aos eleitores nos seguintes termos: “Está chegando o momento. No próximo domingo, deixe a esperança falar mais alto. E vamos juntos vencer o medo. Você é livre pra fazer a sua escolha…”

O bordão que contrapõe a esperança ao medo foi criado por Duda Mendonça, marqueteiro de Lula na campanha presidencial de 2002. Visava rebater a pregação do tucanato segundo a qual a eleição de Lula mergulharia o país no imponderável.

Também naquele ano, o comitê de Lula trombeteou a espeança em vídeo veiculado há dois dias da eleição. A peça terminava com mensagem lida por um locutor: “27 de outubro de 2002. Se Deus quiser, esse dia entrará para a história do nosso país como o dia em que a esperança venceu.”

Em 2010, atacada pelo mesmo PSDB, Dilma serviu-se do mesmo bordão. O próprio Lula foi exibido na propaganda dizendo o seguinte: “Em todas as eleições que disputei sofri todos os tipos de preconceitos e acusações. Agora, vejo que tentam fazer a mesma coisa com a Dilma. […] A esperança e o amor vão vencer o ódio.”

Em 2002 e 2010, o bordão funcionou. Após amargar três derrotas, Lula prevaleceu sobre o tucano José Serra. Oito anos depois, fez de Dilma sua sucessora, derrotando o mesmo Serra. A julgar pelas pesquisas, ACM Neto pode experimentar em Salvador sensação análoga.

Fonte: Blog do Josias

Transição: Preparar a posse

A posse é um evento de um só dia, por isso precisa ser bem aproveitado.

Como ocorre com o lançamento da candidatura, a posse é um evento de um só dia, mas que se projeta sobre o futuro imediato. Ou é bem aproveitado, ou perde-se para sempre a oportunidade. Há posses para todos os gostos. Há candidatos que a preferem discreta, sóbria, um prelúdio breve antes que a administração comece a trabalhar.

A posse é um momento político maior, cercado de simbologias

Há outros que preferem uma posse festiva, um espetáculo a ser oferecido à população, na qual a comemoração se sobrepõe ao conteúdo político. Há também os que a concebem como um momento político maior, cercado de eventos simbólicos e festivos, para conferir-lhe sua verdadeira dimensão e deixar uma imagem duradoura daquele momento para o eleitor.

A posse, entretanto, não pode depender exclusivamente do temperamento ou disposição do governante a ser empossado. Há que levar em conta o momento histórico, os sentimentos da população, a história da campanha. Em outras palavras, não se trata apenas de uma questão de gosto do candidato, de sua preferência, trata-se basicamente de uma questão política, destinada a realizar objetivos políticos.

Objetivos

O evento “posse” destina-se a atender a três objetivos:

1. Revelar a demonstração pública de apoio ao novo governante e seu governo. É o momento de mostrar que, na condição agora de governante de todos, sua legitimidade, popularidade e aprovação aumentaram significativamente, desde a eleição até aquele momento.

2. Definir as linhas principais, e as prioridades maiores do novo governo. É o momento em que o governante empossado revela aos eleitores a sua “mensagem”. Depois de concluídos os estudos da transição, o eleito possui melhores condições de anunciar seu programa de governo, de forma mais realista: medidas de curto, médio e longo prazo, prioridades, principais mudanças, novos compromissos, metas. A peça fundamental para esta definição é o discurso de posse. 3. Demonstrar que o novo governo está no comando e encontra-se qualificado para governar. O eleito e seus escolhidos aparecem para o eleitor como uma equipe, a quem confiou os poderes para governar. O que ele espera desta equipe é a sua qualificação para assumir os encargos de governo. O discurso de posse do governante, seguido pelos discursos de posse de seus auxiliares nomeados, entrevistas e declarações, deverá passar este sentimento de confiança ao eleitorado.

Toda posse é um evento de marketing político, e dos maiores

O marketing da posse

O evento da posse é também um evento de marketing político, e dos maiores. Os dias imediatamente anteriores, e imediatamente posteriores a ele, são especialmente propícios para ocupar os espaços da mídia com matérias sobre o governante e auxiliares. Matérias biográficas, entrevistas mais longas e pessoais, divulgação das principais novidades e mudanças, necessitam do assessoramento profissional do marketing para serem aproveitados inteligentemente e de forma a produzir impacto na opinião pública.

Além dessas matérias, para as quais a mídia terá não apenas boa vontade como interesse, este é o momento também para a produção de peças publicitárias de todo o tipo. Com a posse deverá surgir a “marca” da nova administração, se possível com o seu “slogan” (vale lembrar de Juscelino “50 anos em 5!”). De forma análoga, projetos de governo impactantes também terão sua marca divulgada. Nos locais onde haverá festividade, toda a ampla parafernália da publicidade política pode ser usada: banners, cartazes, faixas etc.

Uma nova fotografia, agora a representação visual do homem que está investido na função de autoridade, deverá ser feita. A forma como deve falar e comportar-se na TV, por igual precisa ser ajustada pela equipe de marketing. O evento, como se vê, deve estar submetido a uma logística precisa e competente, como se exige de um ato político maior que deve possuir o máximo impacto na opinião pública. É dentro destes marcos que o estilo pessoal do governante deve se manifestar. O eleitor vai querer encontrar, por trás de todo o aparato publicitário, aquela pessoa em quem votou na campanha e que agora é uma autoridade.

Informalidade e formalismo coexistem no ato da posse. Em certos momentos – a transmissão do cargo, por exemplo – o toque formal é indispensável. É um momento sério, onde se espera sobriedade e elegância. Já nas festas, espera-se um governante mais descontraído, mais alegre, mais comunicativo, embora sem excessos de familiaridade e de informalidade. Nem o “janota” distante e antipático, nem o “festeiro” irreverente. O timing de sua participação nos eventos também deverá ser planejado com antecedência. Não deve se atrasar, mas também não deve esperar por outros; não deve reduzir sua participação a aparições-relâmpago, mas também não deve demorar-se além do necessário.

Na posse não deve se atrasar, mas também não deve esperar

A posse, portanto, tem que ser planejada como um todo. Seus assessores de agenda, estratégia, comunicação e marketing deverão fazer este planejamento em detalhe. Neste planejamento haverá espaço adequado para tudo: para o ritual, para o discurso, para as aparições em TV e rádio, para entrevistas à mídia, para as festas, para algumas visitas especiais que você deseja fazer, para sua família.

Neste planejamento também deverá ser tratado claramente e com objetividade, os atos simbólicos que desempenhará, e o seu comportamento, forma de trajar, e as formas de comunicação que adotará, em cada situação. Nele também estréiam as marcas publicitárias que você deseja associar ao seu governo e à sua imagem. Deste conjunto de atividades bem planejadas e bem executadas deve-se lograr atingir aqueles três objetivos acima mencionados.

Não deixe de fazer de sua posse um momento em que você capitaliza na popularidade conquistada para iniciar seu governo com a simpatia e o respaldo popular. Ela abre o “período de graça” dos 100 dias que a oposição deve lhe reconhecer e com os quais você firma seu comando sobre a nova administração.

Fonte: Política para Políticos

Nunca aceite uma responsabilidade maior que seu poder para cumpri-la

Quem dirige um governo, assume responsabilidades por inteiro e por toda a sua administração.

Quem é investido de autoridade está permanentemente assumindo responsabilidades. Quem dirige um governo, as assume por inteiro, e por toda a sua administração. A responsabilidade sempre define um foco individualizado, de quem serão cobrados resultados. Sobretudo num regime presidencial como o que temos no Brasil, a responsabilidade, em última análise, adere ao governante máximo, na esfera respectiva de governo.

A responsabilidade define um foco individualizado, de quem serão cobrados resultados

Ao escolher seus auxiliares e delegar poderes a eles, o chefe do governo não se livra da responsabilidade política e administrativa, já que ele foi o responsável pela escolha e nomeação deles. Mesmo uma falha setorial, claramente atribuível a um auxiliar, será também imputável ao governante.

Talvez não lhe seja imputada a falha específica. Certamente lhe será cobrada a falta de critério na escolha do auxiliar, ou nos poderes que lhe delegou. Esta é uma razão que justifica porque insistimos tanto na necessidade da supervisão do chefe sobre sua administração.

Mas os problemas da relação entre responsabilidade e poder não se limitam às situações de falha e erro na administração. A questão possui maior complexidade. Como a responsabilidade se individualiza, quem a assume deve se assegurar antecipadamente de que possui o comando dos meios para executá-la a contento.

No meio militar há uma expressão que define com precisão esta regra: “Quem dá a missão, dá os meios”. Assumir uma responsabilidade, sem contar com os meios que permitam dela se desincumbir satisfatoriamente, é cortejar o desastre. Sem os meios necessários e suficientes para cumpri-la, o resultado é o insucesso certo.

Este insucesso, por sua vez, “gruda” na pessoa que recebera a responsabilidade pela realização da tarefa ou missão, de nada lhe adiantando reclamar depois que não dispunha dos meios para dela se desincumbir. Por meios deve se entender todos os recursos necessários para executar a tarefa: jurídicos, econômicos, políticos, técnicos, pessoal, tempo, cooperação dos setores envolvidos, etc.

Portanto, é uma medida de prudência política exigir, de quem lhe atribui a tarefa e a responsabilidade por ela, todos os meios que você avalia serem necessários para torná-la realidade. Mais ainda, você deve inclusive buscar uma “folga extra” nos meios que lhe serão viabilizados, para cobrir as eventualidades não previstas, e as falhas de planejamento.
Se esta lei é tão óbvia, porque é tão comum incorrer-se neste erro?

Recursos previstos podem não estar disponíveis na quantidade e no momento em que são necessários

A freqüência com que se comete este erro se explica pela própria natureza dinâmica da política. Em primeiro lugar, há que levar em conta que, muitas vezes, as expectativas sociais em torno de um projeto ou ação de governo crescem além dos limites do razoável, e muito além dos meios alocados para realizá-los. Se isto ocorrer, e o governante não agir no sentido de redefinir a meta ou alocar o extra de recursos necessários para realizá-la, a armadilha está armada.

Em segundo lugar, porque os recursos previstos podem não estar disponíveis na quantidade e no momento em que são necessários. Há sempre um imponderável e vários imprevisíveis na política e no governo.

As decisões são tomadas e os recursos são previstos na programação administrativa e orçamentária, mas isto não assegura muitas vezes a sua tempestiva liberação. Não é incomum que, diante de fatos novos, urgentes e inesperados, os meios tenham que atender a emergência, comprometendo aquela previsão inicial que não mais poderá ser cumprida.

Em terceiro lugar, na política as atividades não conseguem ser quantificadas de forma detalhada, como sucede, por exemplo, numa decisão econômica de investimento. Erros na avaliação dos recursos necessários são freqüentes. Se o erro for para menos, novamente a armadilha está armada.

Em quarto lugar, a atribuição de uma responsabilidade tende a ser cumulativa. De maneira quase imperceptível, no dia-a-dia de uma administração, a responsabilidade inicial costuma ser acrescida de outras, que com ela estão muito intimamente relacionadas. Desta forma, a pessoa que recebeu a tarefa, somente mais tarde vai perceber que à responsabilidade inicial se agregaram outras, compondo um compromisso para o qual não havia se preparado, e, com relação ao qual faltam-lhe os meios para executar.

Há várias outras razões que explicam a freqüência com que esta lei é desrespeitada na dinâmica da vida política e de governo. A atividade política é muito dinâmica, a todo o momento ocorrem mudanças que alteram planejamentos já feitos, os compromissos tendem a ser definidos e assumidos verbalmente, e o conteúdo das responsabilidades nem sempre é determinado de maneira precisa. Há inevitavelmente muito de imprecisão, subjetividade e incerteza na atividade política. São estes fatores que podem, a qualquer momento, alterar a balança de responsabilidade/poder, e produzir aquela armadilha.

Você deverá sempre estar atento a esta balança, ao necessário equilíbrio que deve existir entre a responsabilidade assumida e os poderes necessários para executá-la.

Nunca permita que estes dois pólos fiquem demasiadamente afastados um do outro. Desincumba-se de sua responsabilidade com a atenção focada neles. Ao sinal de que vão lhe faltar os meios, você deve, ou tentar a suplementação adicional, ou redefinir para menos a responsabilidade assumida.

Fonte: Política para Políticos

Os contatos de alta intensidade

Numa campanha eleitoral, deve-se usar todas as possibilidades de contatos de alta intensidade, pela sua eficácia e por seu efeito multiplicador.

Contatos de alta intensidade são os mais eficientes, porque ensejam uma relação direta do candidato com o eleitor. Por depender do tempo do candidato, que sempre é reduzido, ele deve ser estratégico e seletivo. Como tal, depende para ter sucesso, de um prévio planejamento, que assegure ao candidato encontrar-se com as pessoas certas dedicando a elas o tempo adequado.

O tempo reduzido exige que contatos de alta intensidade sejam estratégicos e seletivos

As “pessoas certas” são aquelas que “representam” um segmento do eleitorado que potencialmente pode votar no candidato. Não sendo possível contactar todos os membros do segmento, o candidato deve encontrar-se pessoalmente com indivíduos daquele segmento e suas lideranças (quando houver).

A razão para esta seletividade é que o segmento pode sentir-se “representado” pelos membros que se encontraram com o candidato; este pode ouvir o que pensam os integrantes do segmento e falar para eles especificamente; além do fato de que certos segmentos possuem sua mídia interna, reuniões, seus membros se comunicam entre si, o que produz o efeito multiplicador do contato.

O “tempo adequado” significa uma porção de tempo suficiente para que o contato seja eficiente, isto é, que demonstre a atenção e importância que o candidato dedicou a eles. Visitas corridas, só para ser visto, sem oportunidade de conversar, falar e ouvir, não devem ser consideradas como contatos de alta intensidade. Podem até mesmo, serem prejudiciais. Por outro lado, visitas muito longas são também negativas. Dão a impressão que o candidato não tem muito que fazer e criam uma intimidade perigosa.

Nestes contatos, o comportamento do candidato é de grande e decisiva importância. Cumprimentar as pessoas, olhá-las nos olhos, e dizer a frase mágica que só ele pode dizer: “Eu preciso do seu voto, preciso do seu apoio”.

Comportar-se com o grau de informalidade que a situação permite – nem demasiado íntimo nem demasiado rígido- simpático, atencioso, dando a impressão para quem conversa com você que tem todo o tempo do mundo para ouví-lo. Cabe aos assessores, “puxar” o candidato, pedindo inclusive a ajuda das pessoas com quem está falando, para que ele possa circular e encontrar-se com todos. Nunca mostre pressa, nunca olhe seu relógio, deixe para seus assessores a tarefa antipática de interromper os contatos para fazê-lo andar.

Procure cumprimentar pessoalmente o máximo possível de pessoas, é mais importante do que reuní-las num grupo para ouvir você falar, o que pode acontecer depois de ter circulado, conversado e cumprimentado as pessoas.

Se for fazer uma visita a um bairro, encontrando-se com as pessoas nas próprias casas delas, exija de sua assessoria antes do programa um detalhado planejamento do seu trajeto, do tempo que está previsto, do material de campanha para levar, e o envio prévio de pessoas para informar da sua chegada, e preparar o ambiente.

Chegando lá, vá de casa em casa (se “pular” alguma esteja certo que ganhou um inimigo). Caso não haja ninguém em casa, redija na hora um breve bilhete dizendo que esteve lá para conversar com eles e que espera contar com o apoio deles. Nas visitas às casas não se faça acompanhar de mais de uma pessoa. Evite entrar nas casas (entrar é fácil, difícil é sair), explique que tem muitas visitas a fazer e converse na porta. Evite também longas conversas. Você deve ter uma abordagem básica já treinada para um contato que seja breve, mas que não seja apressado.

Nas visitas às casas o ideal é conversar na porta, não entrar

Em cada casa deixe literatura de campanha, peça o voto e o apoio (“Preciso do seu voto…) e deixe para o assessor a tarefa de acertar, quando houver oferta do visitado, detalhes sobre sugestões de outras pessoas a contactar, endereços, disposição para colar cartazes, material de campanha para ele distribuir etc”.

Nas visitas a fábricas e empresas, esteja na porta da empresa antes do horário do início do expediente (nunca na saída, quando todos querem é ir logo para suas casas, nem no intervalo do almoço quando sua visita é um incômodo). No início do expediente, à porta da empresa, cumprimente, entregue literatura de campanha, e, iniciado o expediente vá embora.

Não se faça acompanhar dos donos da empresa durante o trabalho. Passa a impressão de que você é candidato do dono, está com os patrões, que lhe concedem este privilégio, e ainda interfere com o trabalho. Membros da família, sobretudo a mulher do candidato, podem também protagonizar contatos de alta intensidade. A mulher do candidato é percebida como a pessoa mais próxima dele. Falar com ela, ser ouvida por ela, é uma forma de chegar ao candidato.

Os procedimentos que devem orientar estes contactos são os mesmos já descritos para o candidato. A mulher do candidato é também, além dele, uma pessoa que pode persuasivamente dizer “Nós precisamos do seu voto…”.

Outros parentes já serão menos eficientes, embora possam ajudar junto aos grupos etários aos quais pertencem. Assim, os filhos do candidato podem procurar jovens, e os pais do candidato podem encontrar-se com os mais velhos. Finalmente, os cabos eleitorais do candidato podem também fazer contatos de alta intensidade, ainda que com muito menor impacto (sobretudo emocional) sobre os eleitores.

De qualquer forma, cabos eleitorais são pessoas que têm acesso direto ao candidato, são seus auxiliares, e portanto, são canais privilegiados de comunicação. Como o candidato e sua esposa, o cabo eleitoral faz um contato completo: ele ouve e fala. Numa campanha eleitoral, deve-se usar todas as possibilidades de contatos de alta intensidade, pela sua eficácia e por seu efeito multiplicador.

Fonte: Política para Políticos

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