Por Alex Blau Blau
Representantes da indústria e do agronegócio participam de audiências para defender manutenção do comércio entre os dois países
Representantes da indústria, do agronegócio e de diversos segmentos da economia brasileira iniciam nesta segunda feira uma série de audiências nos Estados Unidos com o objetivo de evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25 por cento sobre produtos brasileiros. A medida está em análise pelo governo norte americano e a decisão final deverá ser anunciada nos próximos dias.
As audiências fazem parte da investigação comercial conduzida pelas autoridades dos Estados Unidos e permitem que empresas, entidades e representantes dos setores produtivos apresentem argumentos antes da definição sobre a adoção das novas tarifas.
A estratégia da delegação brasileira é demonstrar que a medida poderá provocar prejuízos não apenas para os exportadores nacionais, mas também para empresas, consumidores e cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos. Entre os participantes estão representantes da indústria, da agricultura, da produção de máquinas, do setor cafeeiro, da siderurgia, da produção de arroz, açúcar, etanol de milho, madeira, papel, calçados, mel e outros segmentos.
O setor industrial sustenta que a relação comercial entre os dois países é marcada por forte integração e que a elevação das tarifas aumentaria os custos de produção, afetando diretamente empresas instaladas nos dois mercados. Também argumenta que não existem fundamentos técnicos, econômicos ou jurídicos que justifiquem a adoção da sobretaxa.
As entidades brasileiras ainda pretendem contestar questionamentos apresentados pelos Estados Unidos sobre propriedade intelectual, acordos comerciais firmados pelo Brasil, questões ambientais e políticas de importação. Segundo os representantes do setor produtivo, as normas brasileiras seguem regras internacionais e não representam tratamento discriminatório contra empresas norte americanas.
No agronegócio, a preocupação envolve produtos como café solúvel, mel e pescados. A avaliação é de que uma eventual tarifa poderá elevar preços ao consumidor norte americano e prejudicar cadeias produtivas que dependem do fornecimento brasileiro.
Enquanto as audiências ocorrem, equipes técnicas dos governos do Brasil e dos Estados Unidos também devem manter reuniões para preparar uma nova rodada de negociações diplomáticas antes da decisão definitiva sobre a possível adoção das tarifas. O objetivo é buscar uma solução negociada que preserve a relação comercial entre os dois países e reduza os impactos para produtores, empresas e consumidores.




