Cassado, Eduardo Cunha ameaça contar os diálogos do impeachment

2016-09-13T014547Z_1447374024_S1BEUAZBRFAA_RTRMADP_3_BRAZIL-POLITICS-696x454Juntaram-se partidos tão diferentes quanto PT, PCdoB, PSDB e DEM para condenar o deputado Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e principal responsável por dar a partida no processo de impeachment da petista Dilma Rousseff.

Foram 450 votos pela cassação de Eduardo Cunha, 10 pela absolvição e 9 abstenções. O resultado foi anunciado às 23h50 de ontem. Depois da votação, o ex-deputado avisou que não fará delação premiada, mas que tornará públicos todos os diálogos políticos travados à época do impeachment, eventualmente em um livro.

Ficou claro que Cunha estava perdido quando, perto das 20h, o número de deputados chegava a 400, o mínimo fixado por seu sucessor Rodrigo Maia para desencadear a votação. Cunha há havia perdido mais dois recursos em que pedia adiamento da votação ao Supremo Tribunal Federal.

A pá de cal foi jogada quando a Câmara decidiu que votaria o parecer do Conselho de Ética que cassava Cunha e não um projeto de resolução defendido por seus poucos defensores. Cunha se defendeu a da tribuna da Câmara fazendo críticas ao PT e acusando o Supremo Tribunal Federal de dar um tratamento diferenciado aos inquéritos abertos contra ele no âmbito das investigações da Operação Lava Jato.

Segundo o peemedebista, o chamado “petrolão” é um esquema criminoso para financiar campanhas do PT e sua cassação vai ser usada pelos petistas para falar que o impeachment de Dilma Rousseff foi um “golpe”. “A minha cassação é um troféu para dizer que foi dado um golpe na presidente (Dilma). Golpe é usar o dinheiro da Petrobrás para apagar de caixa dois de campanha”, disse.

Ele disse que recebeu ofertas e chantagens, mas o pedido de impeachment já tinha sido analisado 10 dias antes da votação do parecer no Conselho de Ética. Dirigindo-se ao plenário, Cunha disse ainda: “Amanhã serão vocês”.

Ele também afirmou que houve uma diferença de tratamento com relação a ele e os demais parlamentares alvos da Lava Jato, inclusive o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo ele, o prazo médio para o STF aceitar uma denúncia são 660 dias, e que a dele foi aceita em menos de 60 dias. Ele afirmou também que até agora só há dois parlamentares réus no STF por causa da Lava Jato, ele e Nelson Meurer (PP-PR).

Ele negou que tenha contas na Suíça e disse que o trust não lhe pertence. “Quero saber qual é a conta, qual é o número da conta? Que conta é essa que você não consegue movimentá-la”, disse. O

Cunha ficou a maior parte do tempo isolado no plenário da Câmara. Chegou à Câmara por volta por volta das 20h45, quando a sessão já havia começado. Sem bóton de parlamentar, o peemedebista chegou em seu carro particular, acompanhado de seguranças e da assessora de imprensa.

Renúncia foi discutida na casa de Maia

A possibilidade de o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha renunciar a seu mandato para adiar a votação de sua cassação foi discutida por aliados e adversários do deputado no domingo na casa de Rodrigo Maia, atual presidente da Casa.

Poucas horas antes do início da sessão que definiria seu futuro, Cunha reafirmou a disposição de não renunciar. “É mais fácil o Sargento García prender o Zorro do que eu renunciar”, afirmou Cunha, em referência à série de TV dos anos 1950.

O presidente da Casa convidou parlamentares e outras pessoas para um rodízio de pizza na residência oficial no domingo. Estavam presentes dois dos principais auxiliares de Michel Temer, o ministro Geddel Vieira Lima (Governo) e o secretário de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco, sogro de Maia.

Foram ainda aliados de Cunha, como o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, que o defende há anos. Afirmou-se que, sem algum tipo de cobertura, Cunha poderia fazer revelações contra Moreira Franco. Todos negam. Maia garantiu que a única pergunta feita a ele por aliados de Cunha no jantar foi sobre ele manter a palavra e só abrir a sessão com a presença de pelo menos 400 deputados. Ele disse que manteria o compromisso.

Negou que a possibilidade de renúncia tenha sido abordado. Geddel diz que ficou pouco tempo no jantar e que não ouviu esse tema ser tratado. Moreira Franco disse que não tocou no assunto.

Fonte: jornaldebrasilia.com.br

 

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