Da redação
Países do Oriente Médio avaliam a adoção de projetos de energia nuclear diante da crescente demanda elétrica e desafios regionais. Atualmente, o interesse foi impulsionado pela crise energética global, conforme discutido durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2023, realizada no ano passado.
Segundo Shota Kamishima, da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a energia nuclear representa uma “enorme oportunidade” para os países interessados na região. No entanto, barreiras técnicas e questões políticas limitam o avanço dos projetos. Destacam-se preocupações relacionadas à segurança regional, condições climáticas adversas e à necessidade de cooperação internacional.
O Egito integra a lista de nações que analisam conciliar energia nuclear e fontes renováveis para construir sistemas energéticos mais estáveis e eficientes. O país está em fase de conclusão da central nuclear de El Dabaa, prevista para alcançar capacidade total instalada de 4,8 gigawatts, valor comparável à capacidade solar fotovoltaica total instalada em Portugal em 2024.
Almuntaser Albalawi, do Instituto das Nações Unidas para a Investigação sobre o Desarmamento (Unidir), ressalta que a crescente necessidade de eletricidade e processos industriais, como dessalinização e refrigeração, demanda fontes confiáveis de energia. Ele menciona que a demanda na região triplicou entre 2000 e 2024, acentuando a urgência da discussão.
Zia Mian, da Universidade de Princeton, aponta desafios impostos pela instabilidade política e mudanças climáticas. Destaca que o Oriente Médio aquece duas vezes mais rápido que a média global, o que pode comprometer o funcionamento das usinas nucleares. Para ele, “em termos de benefícios climáticos por cada dólar investido, as duas opções simplesmente não são comparáveis”, referindo-se à superioridade das renováveis.
De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, hoje há 416 reatores nucleares operando em 31 países, responsáveis por aproximadamente 10% da eletricidade global, enquanto cerca de 60 países avaliam incorporar essa tecnologia a suas matrizes energéticas.






