Início Mundo Coalizão Escudo das Américas visa conter influência chinesa, afirmam especialistas

Coalizão Escudo das Américas visa conter influência chinesa, afirmam especialistas


Da redação

A coalizão Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos e formada por Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago, anunciou a intenção de submeter sua proposta à Organização dos Estados Americanos para atuação conjunta no combate ao narcotráfico. No documento divulgado, o grupo classifica 24 organizações criminosas como terroristas, entre elas o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, e destaca objetivos econômicos e de proteção das cadeias de suprimento de minerais críticos.

Danilo Enrico Martuscelli, professor de ciência política da Universidade Federal de Uberlândia, afirmou que a aliança representa uma “retomada do processo de tentativa de anexação colonial ou imperial dos países latino-americanos em relação aos EUA”, dentro de uma lógica de disputa comercial e tecnológica com a China. Segundo ele, há um “pretexto de combate ao narcotráfico” para justificar a interferência e conter a influência econômica chinesa. “O recurso à OEA tem o propósito de dar alguma legitimidade institucional a essa política de pressão imperial aberta”, afirmou Martuscelli.

Robson Valdez, professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, observou que o Escudo das Américas pode legitimar a presença de tropas americanas na região sob o argumento de combater o crime organizado. Para Valdez, a iniciativa sinaliza à China necessidade de rever suas relações com países latino-americanos à luz da política externa norte-americana. Ele também apontou o risco de a coalizão servir para impor a compra de equipamentos militares dos Estados Unidos.

O governo brasileiro, que não participa da coalizão, avalia a proposta com cautela e mantém medidas de cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado. Conforme a posição de Brasília, a iniciativa pode ser utilizada por Washington para buscar alinhamento automático de países latino-americanos em temas econômicos, especialmente diante de possíveis restrições à presença chinesa na região.