Da redação
A Colômbia se destaca na América Latina por ainda manter um centro político real e estruturado, representado por figuras como Sergio Fajardo, ex-prefeito de Medellín, Claudia López, ex-prefeita de Bogotá, e Juan Manuel Galán. Nenhum outro grande país da região apresenta um campo centrista tão sólido, mas resta saber se até março, quando as candidaturas se definem, esse centro conseguirá se unificar em torno de um nome ou será absorvido por um dos polos políticos. A eleição geral está marcada para maio.
A vitória de Gustavo Petro rompeu a hegemonia histórica entre liberais e conservadores ao eleger o primeiro presidente de esquerda em um país que tradicionalmente associava esse espectro político às guerrilhas. A sucessão, na quarta maior economia latino-americana, pode agora ser disputada entre uma esquerda democrática, um centro forte e uma direita fragmentada, cenário inédito após décadas de bipartidarismo.
Externamente, Petro é considerado um governante fracassado por setores conservadores, mas seus dados são positivos: o PIB deve crescer 3,5% em 2025 e o desemprego caiu para menos de dois dígitos. O salário mínimo teve aumento de 23% e o governo quebrou recordes de apreensões e extradições para os EUA. Apesar disso, Petro não conseguiu aprovar todas as reformas prometidas nem alcançar a “paz total” com as guerrilhas. Ainda assim, mantém apoio expressivo em regiões rurais e periféricas, embora a elite colombiana cultive forte antipetrismo.
Entre os cotados para sucedê-lo estão os governistas Iván Cepeda, senador que colocou Álvaro Uribe no banco dos réus, e Roy Barreras, ex-senador de perfil mais centrista. Pela direita, cresce o outsider Abelardo de la Espriella, defensor de uma retórica de ordem e alinhado ao discurso de Jair Bolsonaro, Javier Milei e Donald Trump.
O pleito colombiano coloca em xeque o futuro do centro político no país e será acompanhado de perto pelos Estados Unidos, especialmente devido à proximidade da Colômbia com a Venezuela, foco da maior crise regional.





