Da redação
O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (28) a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas. A medida, que entra em vigor em 5 de junho, busca intensificar o combate transnacional a essas facções, segundo comunicado oficial norte-americano.
Nos últimos anos, autoridades brasileiras intensificaram estratégias de enfrentamento ao crime organizado, com destaque para o bloqueio de esquemas de lavagem de dinheiro via “asfixia financeira”. Operações como a Carbono Oculto, deflagrada em agosto passado, revelaram a atuação do PCC no setor de combustíveis, segundo o promotor Márcio Christino, do Ministério Público paulista.
A segunda fase dessa operação, chamada de Fluxo Oculto, aconteceu nesta semana e mirou empresas de pagamento suspeitas de funcionar como “bancos paralelos”. Mandados judiciais foram cumpridos na região da Faria Lima, no interior do estado de São Paulo e no Rio de Janeiro, apurando movimentação financeira considerada ilícita.
Especialistas veem avanços na articulação entre órgãos públicos e operações integradas, citando como exemplo a Carbono Oculto, que reuniu Receita Federal, Gaeco, Secretaria da Fazenda, ANP, Procuradoria-Geral e polícias. “Ela atacou diretamente o lado financeiro da facção”, aponta Bruno Langeani, consultor-sênior do Instituto Sou Paz, destacando o bloqueio de recursos e o descredenciamento de fintechs.
Entretanto, a cientista política Jacqueline Muniz, da UFF, afirma que os avanços são “pontuais, modestos e desconectados”. Para ela, as facções “são parasitárias do Estado, e não seu antagonista”, operando tanto em circuitos legais quanto ilegais e consolidando uma economia política criminal ancorada em relações com o próprio Estado.
Levantamento Datafolha revelou que facções e milícias ampliaram sua presença, atingindo áreas em que vivem cerca de 28,5 milhões de brasileiros, representando 19% da população. O Congresso aprovou neste ano a chamada Lei Antifacção, aumentando penas e enquadrando como criminosos ultraviolentos grupos de três ou mais pessoas que utilizam violência para impor controle territorial ou social.





