Da redação
Comerciantes da Asa Norte, no Distrito Federal, estão reforçando a segurança de seus estabelecimentos após uma série de furtos na região. Proprietária de uma loja na Quadra 704/705 Norte, Fernanda* instalou concertina — arame farpado enrolado usado em trincheiras na Primeira Guerra Mundial — no teto do subsolo, além de uma cama de pregos, para inibir invasores. O último furto no local ocorreu em 31 de março de 2026 e resultou em prejuízo superior a R$ 4 mil, após o roubo de máquinas, equipamentos, talheres e ferramentas.
“Usamos o subsolo como depósito. Eles entraram e levaram o que puderam”, relatou Fernanda, que suspeita da participação de pessoas em situação de rua e afirma que muitos furtos são para financiar o consumo de drogas. Segundo ela, a ação dos criminosos tem gerado sensação de insegurança e crises de pânico. “A Asa Norte não é segura e está nas mãos dos criminosos”, disse. Ela registrou boletim de ocorrência, mas não percebeu aumento no policiamento.
Outro comerciante, Adenilton Borges da Silva, de 47 anos, também foi alvo de criminosos na Comercial da 106 Norte. Após tentativas de arrombamento com pé de cabra, os invasores conseguiram furtar uma peça de alumínio avaliada em R$ 800. Borges compara o cenário local ao do Rio de Janeiro, alertando para a possibilidade de agravamento da criminalidade caso não haja ação efetiva.
Casos de vandalismo em plena luz do dia também foram registrados. No domingo de Páscoa, 5 de abril, um carro teve o vidro quebrado na 706/707, e uma residência foi invadida no dia seguinte. Além disso, comerciantes instalaram arame farpado no chamado “beco do crack”, na 716 Norte, atual ponto de consumo de drogas próximo à 2ª Delegacia de Polícia.
A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) afirmou que não há dados que comprovem envolvimento generalizado de pessoas em situação de rua em crimes, e defende o combate à estigmatização. Já a Secretaria de Segurança Pública do DF informou que a Asa Norte recebe reforço do programa Brasília Mais Segura, reconhecendo que criminosos se aproveitam da vulnerabilidade social para praticar furtos e tráfico de drogas.
(*) Nomes fictícios






