Início Distrito Federal Convenções partidárias destacam desafios para ampliar diversidade e competitividade nas chapas eleitorais

Convenções partidárias destacam desafios para ampliar diversidade e competitividade nas chapas eleitorais


Da redação

O período das convenções partidárias, que vai até 5 de agosto, é quando os partidos definem as candidaturas para as eleições no Distrito Federal. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, nas últimas eleições gerais, mulheres representaram 35% das candidaturas e apenas três candidatos indígenas participaram do pleito. Apesar de pretos e pardos somarem pouco mais da metade dos registros, especialistas afirmam que o principal desafio, atualmente, é garantir condições reais de competitividade a esses grupos.

Especialistas ouvidos avaliam que cotas e regras para distribuição proporcional de recursos ampliaram o acesso às candidaturas, porém a distribuição de financiamento e apoio político permanece concentrada nas direções partidárias. Ariel Calmon, sociólogo e mestre em ciência política pela Universidade de Brasília, afirma que “o principal filtro continua sendo os partidos, que decidem quem receberá recursos, tempo de campanha e apoio político”, o que dificulta a disputa em condições de igualdade.

A cientista política Jackeline Brito, do Coletivo de Pretos e Pretas em Relações Governamentais, destaca que “a cota de 30% garante um nome na urna, mas não garante dinheiro, estrutura e nem o apoio da máquina partidária”. Para ela, decisões concentradas em cúpulas majoritariamente brancas e masculinas e a violência política de gênero e raça impedem diversidade real nas chapas e na ocupação de espaços de decisão.

Em resposta, lideranças partidárias relatam medidas para ampliar a representatividade. Guilherme Sigmaringa, presidente do PT-DF, afirma que a sigla prioriza a participação de mulheres, negros, indígenas, LGBTQIA e pessoas com deficiência. Joaquim Mauro, presidente do Republicanos-DF, diz que o partido segue as exigências legais e investe em formação política, enquanto Giulia Tadini, presidente do PSol-DF, afirma buscar superar as cotas previstas em lei. Paula Belmonte, presidente do PSDB-DF, destaca a meta de composição paritária nas chapas e incentivo a novas lideranças.