Da redação
O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, na semana passada, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, chegando a 14,5% ao ano. O ajuste foi influenciado pelas incertezas decorrentes dos conflitos no Oriente Médio e pela expectativa de manutenção da inflação elevada por mais tempo.
Segundo a ata da reunião divulgada nesta terça-feira, o Copom optou por manter a moderação no corte dos juros e segue monitorando os desdobramentos geopolíticos, especialmente os impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o mercado internacional. A instabilidade no Estreito de Ormuz, importante rota do petróleo, preocupa autoridades monetárias.
A autoridade monetária destaca que permanência das incertezas na política econômica dos Estados Unidos também contribui para o cenário atual. O Copom declarou que está atento aos efeitos diretos e indiretos do prolongamento dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços, além dos possíveis choques nas cadeias de produção e distribuição.
Em nota, o órgão afirmou: “O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre profundidade e extensão dos conflitos”. A preocupação principal está ligada à volatilidade de ativos e commodities.
Antes do agravamento da guerra, o mercado previa um corte mais expressivo da Selic. Agora, o Copom alerta para uma “desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”. Isso justifica a manutenção de postura restritiva na condução dos juros básicos.
De acordo com o Boletim Focus, a previsão do IPCA é de 4,89% em 2024, 4% em 2027 e 3,64% em 2028. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, variando entre 1,5% e 4,5%. O Copom pondera que o custo de convergência à meta aumenta com expectativas desancoradas.







