Da redação
O custo de produção da próxima safra no Brasil deve crescer 5,5% em relação ao ciclo anterior, segundo estimativa do Bradesco. De acordo com a instituição, o aumento é resultado dos preços elevados de fertilizantes e defensivos agrícolas, especialmente o MAP, fosfatado fundamental para soja e milho, que segue 22% acima dos valores anteriores ao conflito no Oriente Médio, cotado a US$ 907,5 por tonelada.
Os analistas do Bradesco alertam que persiste uma janela de tempo restrita para aquisição dos insumos, já que os preços elevados afastaram compradores ao longo do ano e o volume importado segue inferior aos anos anteriores. Mesmo que o conflito no Estreito de Ormuz termine imediatamente, a normalização do fluxo de fertilizantes ainda levaria de três a quatro meses, impactando entregas nesta temporada. Essa conjuntura favorece competição mais intensa pelo produto em curto espaço de tempo e margens mais apertadas para o agricultor.
Além do impacto nos custos, há preocupação climática para o segundo semestre. Relatório do Bradesco indica probabilidade de 100% da intensificação do El Niño entre agosto e outubro, com risco mais grave para o Centro-Oeste, principal região produtora do país. Eventos anteriores do fenômeno provocaram atrasos no início das chuvas e interrupções durante a consolidação das lavouras. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já prevê anomalia negativa de precipitação a partir de setembro na região.
As culturas do milho e do trigo são, segundo o Bradesco, as mais expostas aos efeitos do El Niño e ao encarecimento dos insumos. Em cenários de forte intensidade, a produtividade do milho pode cair de 20% a 30% e a colheita total deve atingir 134 milhões de toneladas. Para o trigo, a produção doméstica pode ficar abaixo de seis milhões de toneladas, menor nível das últimas safras.



