Da redação
Três estudantes atingiram a nota máxima, mil, na redação do Enem 2025, segundo resultados divulgados pelo Inep na sexta-feira (16). Dos cerca de 3,3 milhões de candidatos que prestaram a prova em 2024, Caio Braga, 18, Wellington Ribeiro, 19, ambos do Recife, e Maria Clara Cunha, 18, do Rio de Janeiro, destacaram-se pelo domínio da escrita e pela originalidade das abordagens sobre o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.
Caio, estudante de ciência da computação da UFPE, atribui o resultado à rotina de monitoria no Colégio Núcleo, onde orientou vestibulandos durante o ano, mantendo-se familiarizado com a prova. Ele reservou de cinco a dez minutos para planejar o texto, recorrendo a referências como o livro “O Caraíba”, a Lei dos Sexagenários (1885) e o filme “Vitória”, de Fernanda Montenegro. Caio critica modelos prontos de redação e defende o domínio da linguagem e a leitura.
Wellington, também de Recife, comemorou a conquista em família após conferir o resultado na madrugada. Para ele, a constância foi fundamental: realizou simulados semanais e apostou na prática como caminho para o sucesso. Na redação, utilizou referências que incluem Clarice Lispector e o sociólogo Ruy Braga. O apoio da professora Fernanda Pessoa e do pai, entusiasta da escrita, foi essencial na trajetória.
No Rio de Janeiro, Maria Clara, do Colégio e Curso pH, superou um ano de adaptação após o diagnóstico de TDAH. Ela adotou uma rotina de estudos adequada ao seu ritmo, com pausas e conversas entre as sessões de estudo. Sua redação relacionou o filme “A Substância” ao envelhecimento de dom Pedro 2º como símbolo de sabedoria, além de discutir a pressão estética e o olhar produtivista do capitalismo.
Os três jovens rechaçam a utilização de modelos prontos e defendem a escrita autoral. Maria Clara resume: “Escrever tem que ser fluido, como num livro ou jornal. Você precisa sair da caixinha”.






