Por Alex Blau Blau
Recursos federais ligados a apuração da Polícia Federal bancaram apresentações musicais em municípios de São Paulo e do Paraná enquanto investigação também apura suposto direcionamento de verbas públicas
Recursos de emendas parlamentares que estão no centro de uma investigação da Polícia Federal foram utilizados para custear apresentações de artistas sertanejos em eventos promovidos por municípios do interior de São Paulo e do Paraná. A destinação das verbas passou a ser analisada após investigadores apontarem que os recursos teriam sido indicados pelo presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto.
Levantamento realizado com base em informações oficiais mostra que cidades beneficiadas utilizaram parte dos repasses da União para contratar atrações musicais durante festas tradicionais e comemorações de aniversário dos municípios.
Na cidade de Iepê, no interior paulista, a verba foi empregada para a contratação da banda Traia Véia e da dupla Thaeme e Thiago durante a realização da Agrofest de 2025. Cada apresentação teve custo de R$ 250 mil.
Em Guaimbê, também em São Paulo, recursos da mesma origem foram destinados ao pagamento do show da dupla Thaeme e Thiago na Festa do Peão de Boiadeiro. O cachê da apresentação foi de R$ 280 mil.
A contratação da dupla também ocorreu em Cafelândia, no Paraná, onde a verba federal foi utilizada para as festividades de aniversário de 43 anos do município. Já em Macedônia, município paulista com menos de quatro mil habitantes, os recursos custearam a apresentação da cantora Mariana Fagundes durante as comemorações do aniversário da cidade.
Segundo a investigação, as emendas eram formalmente registradas como indicações da Liderança do Partido Liberal na Câmara dos Deputados. Entretanto, a Polícia Federal afirma ter encontrado elementos que apontam Valdemar Costa Neto como responsável pela definição do destino de parte desses recursos.
As apurações também indicam que mais de R$ 100 milhões em emendas direcionadas para a área da saúde teriam sido vinculadas ao dirigente partidário. Além desse setor, verbas destinadas ao turismo e ao desenvolvimento urbano também passaram a ser analisadas. Entre as finalidades previstas estavam obras de infraestrutura, pavimentação, revitalização de espaços públicos, realização de eventos e contratação de atrações artísticas.
Diante das informações reunidas pela investigação, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens atribuídos a Valdemar Costa Neto. A decisão também suspendeu a execução das despesas relacionadas aos recursos apontados pela Polícia Federal até o avanço das apurações.
A representação encaminhada ao Supremo ainda sustenta que servidores da Câmara dos Deputados teriam atuado para inserir as indicações atribuídas ao dirigente partidário entre emendas parlamentares regulares, hipótese que fundamenta a investigação sobre possível desvio de recursos públicos.
Em nota, a defesa de Valdemar Costa Neto contestou as medidas determinadas pela Justiça. Os advogados afirmaram que a decisão estaria baseada em interpretações frágeis e sustentaram que não há provas de participação do dirigente em qualquer esquema criminoso. A defesa também declarou que a articulação entre presidentes de partidos e parlamentares faz parte da atividade política e lamentou a divulgação pública de uma investigação ainda em fase inicial.




