Início Ciência e tecnologia Engenheiro-chefe precisa de autonomia para liderar projetos científicos e tecnológicos relevantes

Engenheiro-chefe precisa de autonomia para liderar projetos científicos e tecnológicos relevantes


Da redação

O Professor Associado Dr. Luu Quang Trung, atualmente no Laboratório de Sinais e Sistemas da CentraleSupélec (Universidade Paris-Saclay, França), afirmou à Agência de Notícias do Vietnã que o conceito de “engenheiro-chefe” está ligado à liderança e organização de grandes projetos científicos e tecnológicos, conforme a Resolução 57-NQ/TW. Segundo Trung, o cargo exige credibilidade e autonomia, além da capacidade de mobilizar equipes multidisciplinares para resolver desafios como inteligência artificial, semicondutores e 6G.

O pesquisador destacou que construir uma rede global de especialistas vietnamitas em inteligência artificial é o primeiro passo para impulsionar a pesquisa e a inovação no Vietnã. Porém, ressaltou a importância de criar espaços de troca efetiva de ideias entre especialistas, órgãos públicos e empresas, defendendo que eventos setoriais e projetos direcionados têm impacto mais significativo do que iniciativas amplas sem foco. Trung também sugeriu que o país aproveite modelos de código aberto internacionais e concentre recursos em problemas específicos nos quais o Vietnã tenha vantagens.

Para estimular a participação de cientistas vietnamitas no exterior, Luu Quang Trung defendeu mecanismos flexíveis de cooperação, parcerias nacionais sólidas e recursos estáveis que permitam colaborações de longo prazo. Ele citou exemplos de sucesso como os de Jean Tran Thanh Van e Ngo Bao Chau, cujos trabalhos resultaram na criação de ecossistemas científicos sustentáveis sem a necessidade de retorno em tempo integral desses pesquisadores ao Vietnã.

Trung enfatizou que a comercialização de pesquisas exige sistemas de apoio financeiro, proteção à propriedade intelectual e envolvimento do setor privado. Como exemplo, citou o Professor Vu Ngoc Tam, da Universidade de Dartmouth, que fundou a Earable Neuroscience após converter pesquisa em produtos de neurotecnologia, atraindo cerca de US$ 7 milhões em investimentos. O pesquisador frisou que não cabe exclusivamente aos cientistas comercializarem tecnologias, sendo necessário envolver engenheiros, especialistas em transferência tecnológica e investidores para viabilizar o ecossistema.