Da redação
Os Estados Unidos anunciaram nesta semana duas medidas que afetam exportações do Brasil. Na segunda-feira, 1º, o USTR propôs sobretaxa de 25% para produtos brasileiros, alegando práticas “irrazoáveis” de comércio. Já na terça-feira, 2, o Brasil foi listado entre países sob risco de nova taxa, apontando falhas no combate ao trabalho forçado.
O governo Lula contestou a decisão, classificando os argumentos estadunidenses como “ilegítimos”. O USTR citou políticas relacionadas a comércio digital, pagamentos eletrônicos, medidas anticorrupção, propriedade intelectual, mercado de etanol, desmatamento ilegal e ao Pix como motivos para possíveis restrições. O Brasil terá até 15 de julho para negociar a revisão das taxas anunciadas.
O relatório divulgado também incluiu o Brasil entre mais de 50 países considerados falhos em impedir a entrada de bens produzidos com trabalho forçado. Nesse caso, as exportações brasileiras podem sofrer sobretaxa adicional de 12,5%. O impacto direto dessas medidas já mobilizou discussões e preocupações em diversos setores econômicos do país.
As sobretaxas influenciaram o cenário eleitoral, principalmente após a recente visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Donald Trump. Depois de valorizar classificações de facções como terroristas, Flávio enfrentou críticas devido à repercussão negativa das medidas dos EUA. Seu irmão, Eduardo Bolsonaro, também foi alvo após se manifestar favoravelmente a um sistema financeiro privado americano.
Aliados do presidente Lula reforçaram discursos de defesa nacional diante das decisões norte-americanas. O governo avalia conversar novamente com Donald Trump para discutir o tema, possibilidade que pode se concretizar entre 15 e 17 de junho, durante a próxima cúpula do G7, na França. A disputa ganhou destaque nas redes e em eventos políticos recentes.
Na quinta-feira, 4, Flávio Bolsonaro participou da Marcha para Jesus em São Paulo, acompanhado do governador Tarcísio de Freitas. O presidente Lula foi representado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias. No evento, Flávio afirmou que o país enfrenta uma “guerra espiritual” e referiu-se ao “mal” no governo, enquanto Lula declarou que evitou comparecer para não “tirar proveito” político.






