Da redação
A Prefeitura de São Paulo, sob gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), instalou totens pela cidade para divulgar o “maior Carnaval do Brasil”, embora a programação dos blocos ainda não tenha sido definida. Os totens exibem um QR Code para acesso à agenda dos desfiles, mas as informações permanecem indisponíveis a menos de três semanas do início da folia.
Segundo organizadores, a indefinição de trajetos, datas e horários dos blocos dificulta a busca por patrocínio. José Cury, co-fundador do Fórum de Blocos, afirma que a demora atrapalha especialmente os blocos menores e médios, responsáveis por manter viva a tradição carnavalesca durante o ano todo. “Quem vai dar patrocínio sem saber se o bloco vai sair mesmo ou onde vai sair?”, questiona ele, apontando risco de cancelamento dos desfiles.
A prefeitura confirmou à Folha que ainda não publicou a programação do Carnaval de rua e não informou previsão para divulgação. O edital de Fomento Cultural, que destinará R$ 2,5 milhões a 100 blocos, também não teve resultados divulgados, gerando mais incertezas. Organizadores ainda reclamam da falta de diálogo; desde a gestão de Bruno Covas (PSDB), a comissão multissetorial de discussão do evento foi extinta.
Outra insatisfação é a proibição de desfiles noturnos. Desde 2023, todos os blocos devem encerrar suas atividades até as 18h, medida criticada por Lira Alli, do Arrastão dos Blocos: “Proibir blocos após as 18h é um desrespeito com a tradição do Carnaval”.
Enquanto Rio de Janeiro, Salvador e Olinda já anunciaram suas programações e até iniciaram os desfiles, São Paulo permanece sem liberação para cortejos nas ruas, obrigando blocos a buscar alternativas em praças e espaços fechados.





