Da redação
O governo de Goiás, durante a gestão de Ronaldo Caiado (PSD), iniciou a revisão das regras ambientais da Chapada dos Veadeiros para possibilitar a mineração na região. Essa decisão visa abrir caminho para projetos de minerais críticos no estado, processo que ganhou destaque nos últimos meses sob a administração de Daniel Vilela (MDB).
Após renunciar ao governo em março para se candidatar à Presidência, Caiado transferiu o comando a Vilela. Procurado para comentar o tema, Caiado não se manifestou, e sua assessoria indicou que o assunto fosse tratado pela atual gestão, que declarou em nota: “está equivocada a premissa de que seu objetivo seja flexibilizar a mineração na área”.
Informações apontam que mais de 130 projetos de pesquisa e exploração de minerais estratégicos estão ativos na Chapada dos Veadeiros, área reconhecida por sua biodiversidade. Para viabilizar esses projetos, o governo do estado iniciou a revisão do plano de manejo da APA de Pouso Alto, que protege o Parque Nacional da Chapada.
Dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente revelam a existência de 496 processos minerários na APA, abrangendo 527 mil hectares. Destes, ao menos 131 focam minerais críticos como terras raras, cassiterita, manganês e níquel, totalizando 184,8 mil hectares. As cidades de Alto Paraíso, Cavalcanti e comunidades Kalunga estão entre as áreas possivelmente impactadas.
Reuniões do Conselho Consultivo da APA de Pouso Alto têm ocorrido para discutir a revisão do plano de manejo, especialmente em relação à mineração. Segundo a Semad, o processo ocorre em três etapas, com participação comunitária para avaliar as propostas. O órgão afirma que o plano de manejo deve ser revisado a cada cinco anos.
Suely Araújo, do Observatório do Clima, argumenta que a alteração das normas pode comprometer os objetivos da APA, podendo configurar crime ambiental. O governo estadual também detalhou, em documento, os possíveis benefícios financeiros, como o aumento da arrecadação com royalties, para prefeituras locais com a exploração mineral.







