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Governo Lula adota cautela sobre Venezuela, mas avalia que acordo Trump-Delcy afasta dano político


Da redação

Após adotar postura mais moderada, o presidente Lula (PT) tem evitado comentar publicamente a atuação dos Estados Unidos na Venezuela. Integrantes do governo avaliam que a aproximação entre os presidentes Donald Trump e Delcy Rodríguez reduz o impacto político da histórica aliança do PT com o chavismo. A expectativa é de que temas internacionais terão pouca influência na campanha presidencial deste ano, pois questões externas raramente repercutem no cotidiano da população.

A ligação entre PT e Venezuela sempre foi alvo de exploração pela oposição, que associa Lula ao colapso no país vizinho. Jair Bolsonaro (PL), por exemplo, usou esse argumento durante a última eleição. Entretanto, aliados de Lula afirmam que o presidente iniciou, em 2024, um movimento de distanciamento de Nicolás Maduro, não reconhecendo publicamente o resultado das eleições venezuelanas, marcadas por denúncias de fraude.

Após a retirada de Maduro da Venezuela por militares norte-americanos, classificada pelo Itamaraty como “sequestro”, o governo brasileiro se esforçou para não transmitir apoio ao regime venezuelano. Nos bastidores, a avaliação é de que a ausência de Maduro do cenário venezuelano diminui tentativas de associar Lula ao chavismo.

Para o PT, a oposição seguirá explorando o tema na campanha, tentando minar ganhos do governo em áreas consideradas estratégicas, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e propostas voltadas ao trabalho e ao transporte público. Os petistas também planejam destacar a atuação de Lula diante do possível tarifaço imposto por Trump em 2025, ressaltando a defesa da soberania nacional.

Principal receio do governo segue sendo uma possível interferência dos Estados Unidos no pleito, inclusive via plataformas digitais. Mesmo com a relação positiva estabelecida entre Lula e Trump na Assembleia-Geral da ONU, em setembro, há apreensão sobre uma eventual ingerência, à luz das estratégias americanas recentes em eleições de outros países latino-americanos.