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Guerras e menor cooperação em saúde agravam surto de ebola no Congo


Da redação

A província de Ituri, no Nordeste da República Democrática do Congo, concentra 93% dos 676 casos confirmados do atual surto de ebola, conforme dados atualizados. O surto, que se intensificou recentemente, atinge também as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, regiões em conflito.

A instabilidade nas áreas leste da RDC, marcada por décadas de guerras locais, agravou a situação sanitária, dificultando o enfrentamento do ebola. Segundo organizações internacionais, a redução do apoio externo à saúde pública contribuiu para a propagação do vírus e para a carência de profissionais qualificados.

A região de Ituri, distante cerca de 2 mil quilômetros da capital Kinshasa, é palco de disputas entre cerca de 100 grupos paramilitares interessados no controle das atividades minerais. Essa disputa provocou o deslocamento de milhões de pessoas, elevando o risco de contaminação e dificultando o acesso das equipes de saúde.

A Organização Mundial da Saúde relatou que “o surto está se desenrolando em um contexto humanitário complexo e afetado por conflitos, caracterizado por populações altamente móveis e frequentemente deslocadas”. O órgão ressaltou que o avanço do surto permanece rápido, exigindo monitoramento constante.

O contexto de deslocamentos e mobilidade populacional intenso na região limita o rastreamento de contatos e a implementação das medidas sanitárias. A escassez de profissionais de saúde, aliada à insegurança, impede a atuação eficaz das equipes humanitárias e sanitárias para conter o avanço do ebola.

Nos últimos anos, a cooperação internacional na área da saúde diminuiu na RDC. A redução de recursos externos impacta diretamente a capacidade de resposta do sistema de saúde local diante de emergências como o surto de ebola, conforme apurado junto a agências multilaterais.