Por Isabela Galvão
Idoso foi encontrado em situação extrema de vulnerabilidade na Asa Sul e sofreu uma parada cardíaca durante o atendimento; Celina Leão defendeu protocolo de acolhimento adotado pelo GDF
Um homem de 72 anos que vivia dentro de uma árvore na 207 Sul, em Brasília, foi submetido à internação involuntária após ser encontrado em condições consideradas graves pelas equipes de saúde. Segundo a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), havia baratas sobre o corpo do idoso no momento do atendimento.
O resgate ocorreu na terça feira (25), durante uma ação do Consultório na Rua, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. O homem, que faz uso de álcool, foi localizado após moradores da região chamarem atenção para a situação em que ele se encontrava.
De acordo com Celina, o quadro se agravou durante o socorro. O paciente sofreu uma parada cardíaca dentro da ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, foi estabilizado pelas equipes e precisou ser intubado.
“Esse morador de rua vivia dentro de uma árvore e estava com baratas em cima dele. Ninguém sabia o que fazer. Ele teve uma parada cardíaca dentro da ambulância do Samu”, relatou a governadora.
Caso apresentava negligência extrema
A avaliação da Secretaria de Saúde apontou uma situação grave de abandono dos cuidados básicos. Segundo a subsecretária de Saúde Mental, Fernanda Falcomer, o idoso necessitava de acompanhamento contínuo, embora não apresentasse risco para outras pessoas.
O caso se enquadrou nos critérios previstos pelo protocolo de internação involuntária humanizada adotado no Distrito Federal. A medida não ocorre automaticamente pelo fato de uma pessoa estar em situação de rua ou fazer uso de álcool e outras drogas.
A decisão depende de avaliação realizada por profissionais de saúde e considera fatores como risco à própria vida, situações de violência e incapacidade extrema para realizar os cuidados pessoais básicos.
Celina defende atuação do poder público
Ao comentar o episódio, Celina defendeu a possibilidade de intervenção do Estado em situações nas quais a pessoa não apresenta condições de buscar atendimento por conta própria.
“Muitas vezes esse discurso de direitos humanos, que não pode tirar as pessoas da rua, ele é contraditório. Porque, se a gente não tivesse esse protocolo, a gente não teria feito esse acolhimento”, afirmou.
A internação involuntária foi aprovada no Distrito Federal em junho. Até agora, dois atendimentos resultaram na aplicação da medida.
O primeiro ocorreu na segunda feira (24), depois que um homem foi encontrado caminhando sobre os trilhos do metrô. O segundo, envolvendo o idoso da 207 Sul, reforçou o debate sobre os limites da atuação do poder público diante de pessoas em situação de vulnerabilidade extrema.



