Da redação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), é acusado de “quebra de confiança” pela bancada feminina ao postergar a votação do projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo. Parlamentares reivindicavam a apreciação da proposta antes do início do recesso parlamentar, previsto para a próxima sexta-feira (17).
Segundo deputadas de centro e esquerda, Motta afirmou não ser contrário ao projeto, mas disse que a maioria dos líderes partidários não concorda em levá-lo à votação. Apesar de ter prerrogativa para pautar o tema, o presidente vem adiando a análise para não contrariar a bancada religiosa, que teme impacto na liberdade religiosa.
De acordo com a relatora, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), representantes religiosos alegam que a aprovação dificultaria a defesa de conceitos tradicionais, como a obediência feminina e a liderança masculina na família, sem risco de sanção legal. Amaral declarou: “Foi feito um compromisso não só com a bancada feminina, mas com as mulheres do nosso Brasil, de que a gente votaria essa matéria antes do recesso…”.
Representantes da bancada feminina convocaram entrevista coletiva nesta terça-feira (14) para pressionar Motta a cumprir o compromisso firmado em março, durante evento realizado no Congresso Nacional. Na ocasião, o presidente tirou fotos ao lado das deputadas e prometeu priorizar as pautas apresentadas pelo grupo. Amaral afirmou ter feito concessões no texto para tentar superar as resistências.




