Da redação
O juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital, classificou como “ousadia absurda e um total deboche das autoridades públicas” a presença de Jardel Neto Pereira da Cruz, namorado da delegada Layla Lima Ayub e integrante do PCC, na cerimônia de posse da policial em 19 de dezembro de 2023, no Palácio dos Bandeirantes.
Durante o evento, autoridades como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, discursaram para os novos policiais. Segundo as investigações, Jardel, ligado à facção criminosa, esteve presente na solenidade oficial de empossamento.
A decisão de prisão temporária de Layla e Jardel, expedida pelo magistrado, foi assinada na quinta-feira (15) e cumprida nesta sexta-feira (16). Os mandados de prisão têm validade inicial de 30 dias e incluem ordens de busca em diversos endereços, entre eles a Academia de Polícia (Acadepol), onde os policiais recém-empossados passam por treinamento.
De acordo com o juiz, a suspeita é que o PCC tenha recrutado Layla para garantir a aprovação dela no concurso público de delegada — uma estratégia que, se confirmada, evidencia o avanço do crime organizado no Estado. “Se já nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos para isso”, escreveu Mello, ressaltando a gravidade dos indícios encontrados, incluindo gravações, fotografias e depoimentos.
Ainda segundo a decisão, Jardel descumpriu condições de seu livramento condicional, enquanto Layla continuou atuando como advogada mesmo após assumir o cargo público. O casal também é investigado por suposta aquisição de uma padaria destinada à lavagem de dinheiro. Não foi localizado o responsável pela defesa jurídica da dupla.






