Insatisfação e estratégia sucessória criam risco de bancada do PMDB na CLDF ser reduzida a zero



 

20160219005119A redução da bancada será de pelo menos dois dos três distritais da legenda.

Ao mesmo tempo em que busca reforçar seu capital político no Distrito Federal, por meio de alianças ou do controle de outras legendas, o PMDB corre o risco de ver sua representação na Câmara Legislativa reduzida a zero. A redução da bancada será de pelo menos dois dos três distritais da legenda. Motivo? A forma como o partido é conduzido no DF e a falta de espaço para os detentores de mandatos.

 

A insurgência contra o que consideram uma postura autoritária do presidente do partido, Tadeu Filippelli, agora parte do deputado Wellington Luiz, líder da legenda na Câmara Legislativa. O distrital admite sair da legenda. “Se não houver uma mudança no tratamento e a abertura de espaço no partido para os parlamentares com mandato, não descarto a possibilidade de deixar a legenda”, avalia Wellington, que estuda propostas de outros partidos.

Também com propostas de, segundo ele, oito siglas, Rafael Prudente não confirma, mas considera pular do barco peemedebista, embora manifeste o desejo de permanecer na legenda.

O mistério em torno da saída do parlamentar será objeto de especulação durante trinta dias, prazo que os parlamentares podem usufruir dos benefícios da janela. “Essa é a hora de todo mundo refletir, dentro e fora do partido, para se acomodar da forma que gostaria”, afirma. Se ainda não confirmou a intenção de sair do partido, Prudente deve fazer jus ao sobrenome e tratar uma eventual nova filiação com cautela.

Essa é a hora

Presidente do PMDB-DF, o ex-vice-governador Tadeu Filippelli encara eventuais mudanças com naturalidade. “A janela de troca partidária é o momento em que os parlamentares analisam a permanência ou não em determinada sigla”, afirmou.

Filippelli discorda da alegada falta de diálogo. “O PMDB tem conversado com todos os seus parlamentares”, minimiza o presidente da sigla aqui no DF.

Vale até aliança para encontrar um novo ninho

Primeiro a se rebelar contra a postura do PMDB, o deputado Robério Negreiros chegou a entrar na Justiça pleiteando o seu desligamento do partido. Mas, ele abriu mão de tomar essa decisão porque a janela ocorreria antes de uma decisão judicial.

Iniciado ontem, o prazo para troca de partidos sem prejuízo do mandato soou como um cântico  à liberdade. Acompanhado pelo deputado Cristiano Araújo, que estuda deixar o PTB, Robério almeja um partido em que ele, e Araújo, possam ter influência nas decisões. Cristiano confirma uma aliança com Robério nessas condições.

Robério ainda não definiu seu novo ninho, mas as circunstâncias o colocaram, mais uma vez, em rota de colisão com o presidente regional do PMDB, Tadeu Filippelli, já que o PP estava entre os objetos de desejo da  dupla. A entrada do deputado federal Alberto Fraga (DEM) no circuito tumultuou o meio de campo da articulação, engendrada por gente do peso de Michel Temer, presidente nacional do PMDB, e Ciro Nogueira, comandante-mór do PP.  O DEM pode acabar sendo o destino final da dupla Negreiros-Araújo.

No plano original peemedebista, o deputado federal Rôney Nemer deixaria o partido e se filiaria ao PP, tudo para fortalecer a musculatura da legenda e engordar o tempo de televisão de olho em 2018.

 Fonte: Jornal de Brasília

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