Início Política Interrupção no Estreito de Ormuz afeta comércio global e pressiona economia brasileira

Interrupção no Estreito de Ormuz afeta comércio global e pressiona economia brasileira


Da redação

O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, que antes da guerra no Oriente Médio registrava até 140 navios por dia, caiu para quatro embarcações após a interrupção da trégua entre Estados Unidos e Irã, segundo Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Pine. O preço do barril de petróleo fechou a US$ 94, reflexo do aumento do risco para o fornecimento global de petróleo e gás.

Oliveira afirma que os ataques e restrições impostos pelo Irã reduziram o fluxo a poucas embarcações por dia. Em junho, houve uma recuperação parcial com mais de 50 navios após um entendimento entre os países, mas o volume não se aproximou do período pré-guerra. Com o fracasso do acordo entre Irã e Estados Unidos e a retomada dos ataques, o fluxo voltou a despencar: na segunda-feira (20), apenas quatro embarcações de commodities atravessaram o estreito, sem registro de grandes petroleiros ou navios de gás natural liquefeito.

Segundo o economista, o peso econômico dessa rota é significativo. Em 2025, cerca de 21 milhões de barris diários de petróleo transitaram por Ormuz, o que equivale a um quarto do comércio marítimo mundial de petróleo. O estreito também movimentou perto de um quinto de todo o comércio global de gás natural liquefeito, pressionando os preços de energia em escala global.

A tensão aumentou com ameaças no Estreito de Bab al-Mandeb, onde os Houthis anunciaram bloqueio naval contra a Arábia Saudita. O terminal de Yanbu, principal alternativa logística saudita, depende do acesso por Bab al-Mandeb para cargas com destino à Ásia. Oliveira destaca que o agravamento nas duas rotas eleva custos de frete e seguro, amplia pressão inflacionária e pode adiar a retirada de subsídios aos combustíveis pelo governo.