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Justiça determina bloqueio de bens de ex esposa de Jair Bolsonaro por irregularidades em contas de campanha

Por Alex Blau Blau

Decisão da Justiça Eleitoral aponta falhas na comprovação do uso de recursos públicos durante a campanha de 2022 e estabelece medidas para localizar patrimônio da candidata

A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de R$ 227,6 mil em bens da ex candidata a deputada federal Ana Cristina Siqueira Valle, ex esposa do ex presidente Jair Bolsonaro. A medida foi adotada após a constatação de irregularidades na prestação de contas da campanha eleitoral de 2022, especialmente em relação ao uso de recursos públicos destinados ao financiamento da disputa.

Segundo a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, parte significativa do dinheiro recebido por meio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha não teve a aplicação devidamente comprovada. Do total arrecadado, cerca de R$ 134,4 mil permaneceram sem documentação suficiente para demonstrar como os recursos foram utilizados.

A análise das contas identificou inconsistências em diversas despesas, incluindo pagamentos relacionados à contratação de cabos eleitorais, serviços de militância, alimentação, combustível, publicidade na internet, locação de bens e prestação de serviços. Em vários casos, foram apontadas ausência de notas fiscais, contratos, comprovantes de execução dos serviços e documentos que demonstrassem a finalidade eleitoral dos gastos.

Entre os exemplos citados na decisão estão despesas com combustível sem comprovação de vínculo com veículos utilizados na campanha e pagamentos destinados à militância sem elementos que confirmassem a efetiva prestação dos serviços contratados.

De acordo com o processo, Ana Cristina foi intimada em diversas oportunidades para apresentar esclarecimentos e complementar a documentação exigida pela Justiça Eleitoral, mas não compareceu para prestar as informações solicitadas.

Além do bloqueio de bens, a decisão autoriza uma série de providências para identificar eventual patrimônio que possa garantir o pagamento da dívida. Entre elas estão consultas a registros de veículos, declarações de Imposto de Renda, informações sobre imóveis, eventual indisponibilidade de bens e inclusão do nome da devedora em cadastros de inadimplentes, caso a obrigação não seja quitada.

A legislação eleitoral prevê que candidatos que deixam de prestar contas de forma regular ficam impedidos de obter a certidão de quitação eleitoral até a regularização da situação ou pelo prazo estabelecido em lei. Também há possibilidade de consequências para o partido político, incluindo restrições ao recebimento de recursos dos fundos partidário e eleitoral enquanto persistirem as irregularidades.

Até o momento, não havia manifestação pública de Ana Cristina Siqueira Valle sobre a decisão judicial.