Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 22, que decidiu restringir a participação da imprensa em parte de seu encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorrido no início de junho na Casa Branca. Segundo Lula, a medida foi tomada por temer ser destratado publicamente.
Durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula relatou preocupação com o histórico de Donald Trump em situações constrangedoras envolvendo outros líderes estrangeiros. “Ficava preocupado de ele querer fazer o mesmo que ele fez com o presidente Ramaphosa da África do Sul ou com o da Ucrânia”, afirmou, mencionando episódios específicos.
Em maio de 2025, Trump teria confrontado o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, com acusações sobre um suposto “genocídio branco”. O americano também teria solicitado o apagamento das luzes do Salão Oval para mostrar imagens de violência ao visitante. Já em fevereiro do mesmo ano, ao receber Volodimir Zelenski, da Ucrânia, houve uma discussão pública que terminou sem coletiva de imprensa.
Lula ressaltou ter insistido para que o encontro bilateral ocorresse primeiro sem a presença de jornalistas, o que foi acatado. “Primeiro vamos conversar. Eu tenho assuntos de interesse do Estado brasileiro para conversar com você, que tem assuntos do interesse do Estado americano. Vamos tirar nossas diferenças e depois a gente dá entrevista”, relatou.
Na reunião, os temas centrais foram tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Lula afirmou ter conseguido reverter pontos importantes do aumento das taxas, mas ainda aguarda, por um prazo de 30 dias, novas tratativas para evitar futuras taxações.
Atualmente, autoridades estadunidenses investigam questões como o Pix e o comércio da rua 25 de Março, em São Paulo. O governo brasileiro busca postergar discussões sobre setores sensíveis, preferindo negociar a redução de tarifas para equipamentos de saúde usados no SUS, o que interessa a ambos os países.






