Da redação
Pacientes com tetraplegia, esclerose lateral amiotrófica ou lesões medulares graves estão conseguindo controlar braços robóticos, cursores e outros dispositivos digitais apenas com o pensamento por meio das interfaces cérebro-computador, segundo neurocirurgiões e pesquisadores que atuam em laboratórios de neurotecnologia. O acesso a essa tecnologia é restrito a ensaios clínicos com critérios rigorosos.
O avanço ocorre pela captação direta dos sinais neurais emitidos pelo cérebro, possibilitando a tradução de impulsos elétricos em comandos operacionais em tempo real. De acordo com Eduardo Waihrich, neurocirurgião vascular do Hospital Brasília, “primeiro o cérebro imagina o movimento e depois o executa. Os dispositivos são colocados na área responsável por imaginar o movimento”. Modelos como o da Neuralink, empresa dos Estados Unidos, utilizam microfilamentos que perfuram o tecido cerebral. Pesquisadores da China preferem posicionar eletrodos sobre a dura-máter.
A restauração funcional depende de extensa calibração, reabilitação e uso de algoritmos de inteligência artificial para interpretar as ondas cerebrais, conforme Waihrich. O paciente precisa reeducar a mente e realizar fisioterapia para controlar as próteses adequadamente. O procedimento cirúrgico adota protocolos convencionais, como a craniotomia, mas exige precisão milimétrica no posicionamento para evitar vasos sanguíneos críticos e enfrenta desafios biológicos, como a resposta inflamatória do organismo ao eletrodo.
Segundo André Meireles Borba, neurocirurgião da Clínica Delaborba, essa resposta, conhecida como gliose, pode diminuir a qualidade do sinal neural. Waihrich relata casos em que pacientes perderam o sinal em um ano. Atualmente, apenas a estimulação cerebral profunda é autorizada comercialmente no Brasil para distúrbios do movimento, enquanto as novas interfaces seguem em fase de pesquisa acadêmica.



