Da redação
Ministros do Supremo Tribunal Federal acompanham o cenário da eleição presidencial e projetam que o tribunal seguirá como um dos principais pontos de tensão política nos próximos anos, seja qual for o vencedor do pleito. Conforme integrantes da corte, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) pode levar à retomada de uma agenda de conflitos frequentes com o STF, repetindo dinâmicas da gestão de Jair Bolsonaro, enquanto a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tende a manter a cordialidade, mas não afastaria o tribunal dos holofotes devido a disputas entre o governo e o Congresso Nacional.
Segundo ministros de diferentes alas, a vitória de Flávio pode significar uma guinada conservadora na distribuição de forças do Supremo, atualmente com maioria de ministros indicados por governos do PT. Em caso de novo mandato do petista, as indicações devem manter essa configuração. A relação conflituosa entre o bolsonarismo e o tribunal gera ceticismo, especialmente entre aliados de Alexandre de Moraes, considerado o principal opositor do grupo no Judiciário.
O resultado da eleição também será determinante para a composição do STF, pois três ministros devem se aposentar compulsoriamente por idade no próximo mandato: Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. A corte permanece com uma vaga aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Lula indicou Jorge Messias, advogado-geral da União, mas o Senado rejeitou o nome. O presidente afirmou que insistirá na indicação, após dialogar com Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Outro ponto de atenção no STF é o avanço de pautas consideradas anti-corte, principalmente se Flávio conquistar base expressiva no Congresso. Entre as propostas defendidas pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), estão a fixação de mandato para ministros, limitação de decisões monocráticas e mecanismos para o Congresso rever decisões do tribunal. A avaliação de magistrados é que a judicialização de questões políticas deve se intensificar, independentemente do resultado eleitoral.





