Da redação
Ciclistas enfrentam riscos frequentes ao pedalar no Distrito Federal, apesar da expansão da malha cicloviária. Conforme o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), entre 2022 e 2025, 60 ciclistas morreram em ocorrências de trânsito na região. Em 2025, foram registradas 17 mortes, uma a menos que no ano anterior. A vulnerabilidade de quem utiliza a bicicleta persiste devido a falhas na infraestrutura, travessias perigosas, manutenção inadequada e ao comportamento de motoristas.
Adriana Souza, doutora em Transportes pela Universidade de Brasília e especialista em Mobilidade Urbana, afirma que a experiência do ciclista varia conforme o horário, as condições do trajeto e a infraestrutura disponível. Segundo ela, “ser ciclista na capital do Brasil carrega a sua vulnerabilidade”, citando que velocidades elevadas e conflitos com veículos dificultam a segurança. Ela ressalta que a extensão da rede cicloviária não garante deslocamentos seguros, já que há interrupções, iluminação insuficiente, falta de sinalização e cruzamentos críticos.
Para Raphael Barros Dorneles, coordenador-geral da organização Rodas da Paz, a estrutura viária de Brasília ainda prioriza o automóvel. Ele aponta que a lógica de segurança deve assumir que erros humanos são inevitáveis e que a cidade deve ser projetada para que não resultem em mortes. “As velocidades continuam altas em nossa cidade. Continua uma prioridade ao carro, e precisamos rever essa situação”, diz Dorneles. Ele destaca pontos críticos como a Saída Norte, Lago Sul e cruzamentos em Águas Claras, onde há registros constantes de acidentes.
Segundo especialistas e representantes da sociedade civil, transformar a rede cicloviária em um sistema contínuo e integrado é um desafio persistente. Apesar de Brasília possuir a segunda maior malha cicloviária do país, falhas de conexão e priorização de veículos motorizados ainda impactam a segurança. O conceito de Visão Zero, que defende que nenhuma morte no trânsito é aceitável, é citado pela Rodas da Paz como caminho para reorientar políticas públicas e práticas de planejamento urbano, reforçando a necessidade de mudanças na infraestrutura e respeito à prioridade dos ciclistas conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro.





