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Mulheres quilombolas lançam plano por proteção e justiça climática no DF


Da redação

O encontro nacional de mulheres quilombolas teve início nesta quinta-feira, no Gama, Distrito Federal, com o lançamento do “Plano emergencial para proteção às mulheres quilombolas defensoras dos direitos humanos”. O evento, que se estende até domingo (14), marca os 30 anos da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

O plano apresentado reúne demandas encaminhadas às diversas esferas de poder e destaca a urgência de políticas públicas efetivas. Entre os temas tratados estão a proteção coletiva e territorial, análises integradas de gênero e raça, acesso a direitos sociais, melhoria da infraestrutura e fortalecimento de equipes de apoio multidisciplinar para lidar com riscos enfrentados por essas mulheres.

De acordo com Selma Dealdina, coordenadora do Coletivo de Mulheres e articuladora política da Conaq, a proposta busca uma resposta ao agravamento dos conflitos agrários e ambientais que afetam lideranças quilombolas femininas em todo o Brasil. O documento prevê ações imediatas como a veiculação de uma cartilha pedagógica e a criação de formações integradas para articulação e incidência política das participantes.

Durante o evento, foi exibido o documentário “Cafuné”, que aborda a tensão vivida por lideranças ameaçadas e o impacto de mortes como a de Mãe Bernadete, morta em agosto de 2023. O filme, dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação, é parte de um projeto que será submetido a autoridades.

Sandra Braga, coordenadora executiva da Conaq, afirmou que o encontro serve para compartilhar dores, lutas e ideias das mulheres quilombolas. A jornalista Maria Júlia Coutinho participou das discussões sobre comunicação e destacou que “o quilombo também é um lugar de alegria, uma alegria que nos move para frente, para transformação”.

O evento ocorre sob o lema “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia”. Os organizadores ressaltam a necessidade de resistência e a preservação da ancestralidade, reunindo agricultoras familiares, raizeiras, benzedeiras e parteiras de diferentes regiões, expressando a diversidade produtiva dos biomas brasileiros.