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Ondas de calor e conflitos elevam preços globais de trigo, milho e açúcar


Da redação

Os preços das principais commodities alimentares tiveram alta em julho, de acordo com o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Os itens mais afetados foram cereais, açúcar e óleos vegetais, influenciados por ondas de calor em diversos países e tensões no campo energético.

Segundo a FAO, o preço do açúcar subiu 5,6% em relação a junho e 8% frente a julho do ano anterior, impulsionado por preocupações com o clima quente e seco na União Europeia, possíveis efeitos do El Niño na Ásia e expectativa de maior demanda por etanol no Brasil. A decisão brasileira de elevar temporariamente a mistura obrigatória de etanol na gasolina deve direcionar mais cana-de-açúcar para o biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar. Apesar disso, a melhora na colheita nas regiões Centro e Sul do Brasil limitou o avanço dos preços internacionais.

O Índice de Preços de Cereais da FAO avançou 3,4% sobre junho, ficando 6,9% acima do patamar do mesmo mês de 2025. Os preços do trigo cresceram 5,8% em meio a incertezas sobre exportações no Mar Negro, área afetada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, além dos impactos do calor em grandes produtores. O milho teve alta de 3,6%, influenciado pelo clima seco em parte dos Estados Unidos e alta das tensões geopolíticas. Os preços do arroz permaneceram estáveis em julho de 2026.

No segmento de óleos vegetais, houve aumento de 2% frente a junho, atingindo o maior valor desde junho de 2022. O óleo de palma foi impulsionado pela demanda do setor de biodiesel na Indonésia e alta do petróleo bruto. Óleo de soja subiu devido à procura por matérias-primas nos Estados Unidos; os preços de óleo de girassol e colza registraram queda. O preço da carne caiu 2,8% após o recorde de junho, marcando a primeira redução mensal em 2026, puxada por aves do Brasil, suínos na União Europeia e bovinos por menor demanda da Ásia.