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ONU alerta para agravamento da crise humanitária e repressão a mulheres no Afeganistão


Da redação

O Afeganistão enfrenta uma intensificação da crise humanitária sob o regime talibã, segundo informaram representantes da ONU ao Conselho de Segurança nesta semana. O país permanece em grave situação devido às restrições impostas às mulheres e meninas, especialmente nos setores de educação, trabalho e participação social.

Apesar do governo de facto ter consolidado seu controle desde 2021, Georgette Gagnon, chefe da Missão da ONU no Afeganistão (Unama), alerta para graves problemas estruturais. Desde 2023, quase 5,9 milhões de afegãos retornaram ao país, enquanto outros 2,8 milhões podem chegar ainda em 2024, mesmo diante de oportunidades limitadas e comunidades fragilizadas.

A proibição do ensino secundário para meninas já privou mais de um milhão do direito à educação. Até 2026, estima-se que 3,8 milhões de meninas entre sete e 18 anos estejam fora das escolas. Mulheres e crianças figuram entre os grupos mais afetados pela crise, que se aprofunda com a retirada de direitos básicos.

Metra Mehran, fundadora do Arquivo de Justiça do Afeganistão, afirma tratar-se de um “sistema de opressão de gênero institucionalizada”. Ela relata que, desde 2021, o Talibã editou mais de 230 decretos restringindo direitos de mulheres e meninas, incluindo acesso à educação e emprego. Entre outros pontos, um novo Código de Processo Penal formaliza a discriminação de gênero.

Em Herat, a terceira maior cidade do país, protestos contra detenções arbitrárias de mulheres acusadas de violarem o código de vestimenta resultaram em uma morte e vários feridos após a reação das autoridades. A Unama identificou mais de 30 prisões e dezenas de advertências por motivo semelhante só no início deste mês.

Paralelamente, a diretora da Divisão de Resposta a Crises do Escritório da ONU para Ajuda Humanitária, Edem Wosornu, relatou piora nas condições de vida com 4,7 milhões de pessoas enfrentando insegurança alimentar severa, um aumento de 50% em um ano. Combates na fronteira com o Paquistão deslocaram mais de 100 mil pessoas, agravando o isolamento e dificultando operações humanitárias.