Da redação
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, condenou restrições impostas pelas autoridades de facto no Afeganistão contra mulheres e meninas. Turk também denunciou o “esquecimento coletivo internacional” em relação ao sofrimento dos afegãos e afirmou existir um “silêncio ensurdecedor”.
Segundo Turk, a população sofre com pobreza, repatriações forçadas e medidas cada vez mais restritivas, o que aumenta a exposição de grupos vulneráveis a abusos e violência. O alto-comissário citou decretos que dificultam a separação de mulheres de seus cônjuges e autorizam implicitamente o casamento infantil e a violência contra mulheres e crianças. Lamentou ainda as limitações à educação, emprego, liberdade de circulação e participação pública, além de restrições ao vestuário e ausência de mulheres em fóruns de decisão.
De acordo com dados do Escritório de Direitos Humanos da ONU, pelo menos 449 pessoas foram submetidas a castigos corporais pelas autoridades durante o primeiro semestre de 2026. Também há registros de violações de direitos humanos contra ex-funcionários do governo, membros das forças de defesa e restrições às minorias religiosas, como comunidades xiitas e ismaelitas. Turk classificou a exclusão sistemática das mulheres da vida pública como um “apartheid de gênero”.
A Agência das Nações Unidas para Refugiados informa que mais de 400 mil afegãos foram repatriados à força, principalmente do Irã e do Paquistão, com números menores da Turquia e do Tajiquistão. O repatriamento ocorre mesmo com cerca de 21,9 milhões de pessoas necessitando de ajuda humanitária. Vários Estados-membros da União Europeia intensificaram a coordenação com as autoridades de facto afegãs para retorno de cidadãos.





