Da redação
A ONU Mulheres alerta que a carga mental, definida como o trabalho invisível de antecipação de necessidades, planejamento e organização das rotinas domésticas, recai majoritariamente sobre mulheres, mesmo naquelas que são as principais provedoras financeiras da família. Conforme a entidade, mães, filhas adultas que cuidam de familiares idosos e parceiras responsáveis pela administração do lar enfrentam esse peso psicológico de forma mais intensa.
Segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), se atividades de cuidado e gestão doméstica fossem remuneradas, representariam mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) em alguns países, superando setores como indústria manufatureira, comércio e transportes. Ainda de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em regiões afetadas por conflitos armados, mulheres e meninas acumulam quase quatro vezes mais horas em trabalhos não pagos do que os homens.
O desequilíbrio de gênero também cria obstáculos no mercado de trabalho, reforçando a chamada “penalidade da maternidade”. Conforme o relatório da OIT, mulheres em idade fértil enfrentam discriminação em processos seletivos e redução salarial após a maternidade, enquanto homens frequentemente recebem bônus de paternidade e aumentos de salário após o nascimento dos filhos. Pesquisas da organização Equimundo mostram que nove em cada dez pais afirmam considerar o cuidado dos filhos uma das atividades mais gratificantes de suas vidas, apesar das barreiras impostas por estigmas sociais e políticas públicas desiguais.
Em nível global, mães recebem em média 24,7 semanas de licença, enquanto pais têm direito a apenas 2,2 semanas, indicando a desigualdade no cuidado infantil desde o início da vida do bebê. A ONU Mulheres propõe que sistemas de cuidado deixem de ser responsabilidade privada e passem a receber investimento público, apoiando iniciativas que buscam engajamento de governos, empresas e famílias para o apoio coletivo.



