Da redação
O furto de celulares e o corte de cabos de cobre, classificados como crimes de menor gravidade, alimentam engrenagens do crime organizado no Distrito Federal, segundo especialistas e autoridades. De acordo com o delegado Tiago Carvalho, da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), nem todos esses delitos estão ligados a grandes cadeias criminosas, mas parte significativa deles fortalece esquemas complexos de receptação, fraudes e tráfico de drogas.
Dados da Neoenergia apontam aumento de 49% nos furtos de cabos de transmissão de energia no DF em 2025, totalizando 391 ocorrências contra 263 em 2024. Carvalho explica que esses furtos vão desde ações de pessoas em situação de vulnerabilidade até grupos organizados. “Esses materiais são de interesse de organizações criminosas que vêm sendo combatidas pela Polícia Civil”, afirma. Muitos furtam para sustentar o vício, mas há quadrilhas voltadas à receptação, lavagem de capitais e associação criminosa.
O furto de celulares, segundo Carvalho, está entre os crimes mais associados a esquemas estruturados de receptação. Os aparelhos não são usados apenas para revenda, mas também para fraudes e estelionatos. “O furto alimenta a receptação, e a receptação alimenta o autor do furto”, afirma o delegado. Operações recentes, como Copper 29 e Colheita Blindada, desarticularam quadrilhas especializadas no furto de cabos e celulares, movimentando centenas de milhares de reais e atuando em grandes eventos.
Para Fagner Dias, coordenador do NECrim-Lab do Ibmec Brasília, o baixo risco de punição torna esses crimes atrativos. Ele destaca que há uma lógica econômica clara, e que o sistema de segurança tende a focar nos autores, negligenciando as estruturas que lucram com o crime. “O risco de punição é baixo, enquanto o retorno financeiro compensa”, diz Dias, ressaltando que esses furtos se concentram em áreas com menor vigilância.
O doutor em direito Welliton Caixeta defende uma atuação interinstitucional e o engajamento da sociedade para enfrentar o problema. Segundo ele, é preciso integrar polícias, fiscalizar comércios e conscientizar a população sobre a importância de não adquirir produtos de origem ilícita. “Na dúvida, não adquira o bem e comunique às autoridades policiais”, orienta.





