Da redação
Donald Trump intensificou, desde agosto passado, pressões sobre aliados em estados de maioria republicana para redesenho de distritos eleitorais nos Estados Unidos. A mudança, já efetivada ou em andamento em 10 estados, objetiva ampliar a vantagem republicana nas eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
Segundo levantamento, Texas, Missouri, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Ohio, Flórida, Tennessee e Alabama adotaram alterações favoráveis aos republicanos, enquanto Califórnia e Utah realizaram mudanças inclinadas aos democratas. Atualmente, o partido tem 217 deputados na Câmara, contra 212 democratas, e busca ampliar sua maioria.
A expectativa é que, com as novas divisões aprovadas ou em discussão desde agosto, republicanos possam conquistar de oito a dez cadeiras a mais no Congresso, mesmo com resistência do Partido Democrata. As previsões utilizam dados recentes de votações e destacam que a reconfiguração dos distritos pode impactar decisivamente os resultados.
Chamada de “gerrymandering”, a manipulação distrital normalmente ocorre após a divulgação de dados do Censo, a cada dez anos. O atual processo, entretanto, avança fora do período tradicional, com critérios populacionais desatualizados, o que intensifica o caráter político das alterações e amplia controvérsias.
A Suprema Corte tem adotado decisões que facilitam o redesenho partidário, como no caso da Louisiana, e manteve cortes democráticos na Virgínia. Segundo Michael Waldman, CEO do Centro Brennan, “essa decisão permite discriminação racial e também serve a interesses abertamente hiperpartidarizados”.
Nos Estados Unidos, cada estado define sua quantidade de deputados segundo a população. Diferente do sistema vigente no Brasil, os eleitores norte-americanos votam apenas em candidatos de seu distrito. A delimitação dos distritos é essencialmente política, influenciada pelo partido que controla o Legislativo estadual, com potencial para favorecer determinados grupos partidários.





