Início Brasil Processos biológicos e culturais explicam paixão e beijo nas relações humanas

Processos biológicos e culturais explicam paixão e beijo nas relações humanas


Da redação

Especialistas em psicologia e antropologia destacam que o apaixonamento humano provoca transformações químicas no organismo, impulsionadas por hormônios como dopamina, serotonina e ocitocina. As análises foram feitas em Brasília, em 2024, para explicar como fatores biológicos, culturais e psicológicos moldam sentimentos românticos e comportamentos como o beijo.

Segundo a neuropsicóloga Fernanda Sampaio, nas primeiras fases da paixão, o cérebro libera dopamina, ligada à sensação de recompensa, e serotonina, que regula o humor. Adrenalina e noradrenalina provocam sensações físicas, como excitação, enquanto ocitocina e vasopressina contribuem para o fortalecimento dos vínculos afetivos e manutenção de laços duradouros.

A especialista ressalta que diferenças hormonais provocam distintas experiências de apaixonamento em homens e mulheres. “O homem, por ter muito mais testosterona, vai ter o apaixonamento muitas vezes mais vinculado ao desejo sexual do que a mulher”, comentou Fernanda. No caso das mulheres, o estrogênio influencia o grau emocional do envolvimento, promovendo experiências mais sensoriais.

Apesar das particularidades de cada gênero, Fernanda Sampaio afirma que, em ambos os casos, os principais neurotransmissores e hormônios atuam de forma semelhante no processo do apaixonamento. A psicóloga também pontua que a saúde mental impacta o romance, já que transtornos como depressão podem diminuir a produção de ocitocina e serotonina, dificultando a vivência do sentimento.

No campo antropológico, Lourenço Cardoso observa que o beijo não é um comportamento universal e varia conforme a cultura. “Um beijo no Brasil não é o mesmo que um beijo no Japão, nem significa a mesma coisa de 10 mil anos atrás”, ressaltou Cardoso, mencionando registros milenares na Serra da Capivara, Piauí.

Estudios científicos sugerem que a atração pode ser instintiva, influenciada por feromônios, e que o beijo teria origens evolutivas ligadas à formação de vínculos sociais entre primatas. Ainda conforme Fernanda Sampaio, fatores ligados à fase oral do desenvolvimento podem definir a relação de cada pessoa com o ato de beijar.