Da redação
Após a virada na eleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende insistir na indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), apesar da rejeição de seu nome em abril. Lula vê na disputa pelo comando do Senado uma oportunidade para retomar as negociações.
Em conversas, Lula argumenta que a rejeição não decorreu do perfil profissional de Messias, mas de uma conjuntura política desfavorável ao governo. Parte dos colaboradores, porém, tenta dissuadi-lo, por avaliar que a resistência no Congresso continua forte, inclusive entre aliados de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado.
Lula convidou Alcolumbre para acompanhá-lo em viagem às Filipinas e à Turquia. Emissários do Planalto tentam levar Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, como demonstração de unidade após a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. Até a noite desta quarta-feira (4), Alcolumbre não havia confirmado presença.
Senadores da base veem cenário desfavorável. Integrantes petistas defendem indicar Rodrigo Pacheco para fortalecer o STF antes de uma ofensiva bolsonarista prevista para o próximo ano. Preferido de Alcolumbre, Pacheco já está no Tribunal de Contas da União (TCU). Lula terá ao menos três indicações ao Supremo no próximo mandato.
O regimento do Senado proíbe nova votação de tema rejeitado na mesma sessão legislativa, o que impede analisar Messias novamente em 2026. Pessoas próximas a Alcolumbre defendem recomeçar o debate; um senador avalia que insistir no nome fortaleceria o bolsonarismo na disputa pelo comando da Casa em 2027.




