Da redação
A prevalência de professores que lecionam em mais de uma escola no Brasil resulta de fatores como jornadas reduzidas, grande número de docentes temporários e formatos de atribuição de aulas, conforme relatório da Fundação Carlos Chagas em parceria com o Lemann Center e a D3e. Em média, 20% dos profissionais da educação básica atuam em pelo menos dois estabelecimentos, com incidência ainda maior no ensino médio, onde chega a 36%, e nos anos finais do fundamental, 34%.
Segundo o levantamento, pelo menos metade dos professores nas disciplinas de física, química, biologia e sociologia leciona em múltiplas escolas. Essa fragmentação é agravada por matrizes curriculares com poucas aulas semanais em certos componentes, tornando impossível o docente cumprir a totalidade da carga horária numa única instituição. De acordo com Gabriela Moriconi, coordenadora do estudo, “o acúmulo de cargos, turnos e redes é uma possibilidade quando se tem um salário ruim”, destacando que, além da remuneração, fatores contextuais também contribuem para o cenário.
O relatório indica que, em 2023, todas as redes estaduais analisadas tinham ao menos 30% do corpo docente composto por temporários; três delas ultrapassavam a marca de 50%. Contratações temporárias e jornadas parciais sem garantia de estabilidade ou de carga horária mínima aumentam a necessidade de buscar contratos adicionais. Dos docentes que lecionam em múltiplas escolas, quase metade trabalha em mais de uma rede, segundo o Censo Escolar.
Entre as medidas mais eficazes para fixar professores na mesma escola está a expansão do ensino integral. Uma rede estadual conseguiu reduzir em 15 pontos percentuais o número de docentes em múltiplas escolas entre 2018 e 2023 ao adotar dedicação exclusiva em 40 horas semanais. O Plano Nacional de Educação prevê mecanismos para estimular a permanência do docente em um só local, mas não estabelece meta objetiva.



