Da redação
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) enfrenta crise estrutural e de gestão, segundo relatório elaborado por nove pesquisadores coordenados por Ana Célia Castro, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Antônio Márcio Buainai, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os problemas apontados incluem a construção de laboratórios sem previsão de receita para manutenção, depreciação e ociosidade dos prédios, além do vencimento de reagentes devido à demora na tramitação das compras e redução de 80% dos recursos para pesquisa em uma década.
O estudo, intitulado “Embrapa entre o legado, o futuro e as transformações necessárias”, foi realizado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (INCT/PPED), com participação de especialistas da UFRJ, Unicamp e da própria Embrapa. Conforme o relatório, o risco para o futuro da empresa é elevado, com “deterioração silenciosa das capacidades que sustentaram as contribuições da empresa por décadas”.
Segundo o documento, a maior parte dos pesquisadores está no topo da carreira, elevando custos de folha salarial e dificultando a renovação dos quadros. O sistema de progressão permite atingir o teto salarial entre dez e 15 anos, resultando em estrutura rígida e desincentivo à inovação. Além disso, a estatal enfrenta dificuldade em atrair especialistas em ciência de dados e inteligência artificial, profissionais disputados por empresas de tecnologia.
Os pesquisadores destacam que a redução das verbas impactou o planejamento científico, sujeito à disponibilidade de recursos externos. O orçamento destinado à pesquisa caiu de R$ 400 milhões em 2010 para R$ 65 milhões em 2024, enquanto os recursos para manutenção encolheram de R$ 633,8 milhões em 2011 para R$ 299,7 milhões em 2025. A Embrapa ainda opera com plataformas tecnológicas não integradas, gerando insegurança nos dados.




