Da redação
O relatório “Estado das Florestas no Mundo”, de 2026, lançado nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), aponta que a restauração de matas traz benefícios duradouros para biodiversidade, clima, segurança alimentar e desenvolvimento. Governos de 91 países se comprometeram a restaurar 190 milhões de hectares de florestas.
O estudo destaca 18 casos de restauração, incluindo dois projetos no Brasil. O povo indígena Xukuru, de Pernambuco, restaurou 91,7 hectares nas montanhas Ororubá, utilizando técnicas baseadas em conhecimento ancestral, priorizando áreas de valor sagrado. A ação, apoiada pela FAO, apresenta sinais de recuperação ecológica, com o retorno da fauna, flora e fontes de água.
Outro caso é o Pacto Trinacional da Mata Atlântica, que reúne Argentina, Brasil e Paraguai para promover a restauração em grande escala desse bioma, que atualmente possui menos de 30% de cobertura original. A iniciativa adota governança participativa, enfatizando paisagens multifuncionais aliando preservação, produção, segurança alimentar e subsistência, com monitoramento tecnológico anual via satélite.
O relatório cita a legislação brasileira, destacando a Lei 12.651 e o Decreto n° 8.972, de 2017, responsáveis por instituir obrigações de recuperação de vegetação nativa, com meta de restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Conforme a FAO, as florestas cobrem 32% da superfície terrestre e abrigam até 80% da biodiversidade global, mas 489 milhões de hectares foram perdidos entre 1990 e 2025, e mais de 460 milhões se encontram degradados.



