Da redação
O recrutamento de estrangeiros e o apoio de redes externas têm fortalecido as capacidades militares dos grupos em combate no Sudão, de acordo com relatório da Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos da Organização das Nações Unidas para o Sudão. Conforme o documento, essas práticas provocam graves consequências às populações civis do país ao ampliar o potencial bélico das partes envolvidas.
Segundo o levantamento, entidades transnacionais viabilizam o tráfico de armas e o deslocamento de combatentes para o Sudão a partir de pontos de trânsito em Chade, Líbia e Somália. O relatório cita operações de recrutamento e treinamento de estrangeiros para as Forças de Apoio Rápido (RSF), além de movimentação de armas, tecnologia militar e apoio logístico. Houve também o uso de drones fornecidos por esses grupos nas Forças Armadas Sudanesas (SAF), com relatos de ferimentos em civis e danos em suas infraestruturas.
Mohamed Chande Othman, presidente da missão das Nações Unidas, afirmou que o impacto do apoio externo recai sobretudo sobre civis, sujeitos a ataques contra casas, hospitais, escolas, mercados e locais de refúgio. Em Darfur e Cordofão, a atuação de até dois mil ex-militares colombianos, diretamente envolvidos no uso de drones de combate e armamento avançado ao lado das RSF, foi verificada pela equipe da ONU.
Em El Obeid, capital do estado de Cordofão do Norte, ataques com drones armados, atribuídos às RSF entre julho e agosto, agravaram restrições no fornecimento de água, acesso à saúde e mobilidade. Tais investidas também danificaram estruturas responsáveis por eletricidade e combustível, aumentando a vulnerabilidade da cidade sob cerco parcial.




