Da redação
O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu nesta segunda-feira, 23 de junho de 2026, em Londres, uma transição rápida e justa para energias limpas. O apelo ocorreu em meio ao agravamento das crises climática e energética, destacando a necessidade urgente de abandonar os combustíveis fósseis e promover justiça climática.
Durante discurso, Guterres ressaltou que o mundo enfrenta um “Conto de Duas Crises”: o avanço do caos climático, com aumento de desastres e temperaturas recordes, e uma crise energética marcada pela instabilidade provocada por conflitos recentes. Ressaltou que ambos os problemas têm origem nos combustíveis fósseis e exigem resposta coordenada e global.
O secretário-geral salientou que, nos últimos onze anos, foram registrados os períodos mais quentes da história, com Londres enfrentando o dia mais quente do ano. Alertou para o risco da temperatura média global ultrapassar 1,5°C, limite estabelecido no Acordo de Paris, defendendo cortes drásticos de emissões para evitar mudanças irreversíveis. Segundo Guterres, cada fração de grau importa.
Propostas práticas foram apresentadas, incluindo a redução imediata das emissões — destacando o papel do G20, responsável por cerca de 80% das emissões mundiais. Ainda, lançou um “Apelo Global à Ação sobre o Metano”, enfatizando que 70% das emissões desse gás do setor petróleo e gás podem ser eliminadas com tecnologia já disponível, e propôs maior transparência ambiental para centros de dados de inteligência artificial.
Guterres também abordou a injustiça no acesso a energias limpas, especialmente na África, que detém 60% do potencial solar mundial, mas recebe apenas 2% do investimento global no setor enquanto mais de 600 milhões de africanos carecem de eletricidade. Destacou que a adaptação às mudanças climáticas exige financiamento em escala e velocidade, e cobrou que países desenvolvidos cumpram compromissos de apoio financeiro.
Informou que, segundo a Agência Internacional de Energias Renováveis, energias limpas já são economicamente competitivas: o custo da energia solar caiu quase 90% desde 2010, e as renováveis evitaram emissões superiores às dos EUA, União Europeia e Japão juntos. Defendeu o fortalecimento do financiamento internacional, inclusive dos bancos multilaterais, para garantir uma transição energética justa e inclusiva.





