Da redação
O Senado promoveu nesta quinta-feira, 28, uma sessão temática para discutir o preparo do Brasil diante do El Niño, fenômeno climático que deve apresentar intensidade acima da média em 2024. O encontro ocorreu em Brasília e buscou debater medidas de prevenção diante das previsões de chuvas intensas no Sul e seca acentuada no Norte e Nordeste.
Durante o debate, conduzido pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), parlamentares, especialistas e representantes do governo observaram que, embora o país já conte com instrumentos para prever eventos climáticos extremos, ainda é necessário avançar em políticas preventivas. Amin explicou que o objetivo era discutir ações para proteger a população, a agricultura e o fornecimento de água potável.
O pesquisador Carlos Nobre destacou que o El Niño ocorre em um cenário de aumento gradual das temperaturas globais. Segundo ele, “o ano de 2024 bateu o recorde de 1,55 grau [de aumento da temperatura do planeta]”, o que potencializa o impacto de fenômenos como o El Niño. Nobre avalia que há 92% de probabilidade de ocorrência ainda neste semestre, aumentando para 98% no final do ano.
O senador Hermes Klann (PL-SC) observou que a intensificação do El Niño pode tornar 2027 o ano mais quente já registrado, conforme projeções do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas. Ele alertou que o enfrentamento a desastres naturais deve ser permanente. “O problema não é a falta de previsão; o problema é a falta de prevenção [por parte do governo]”, afirmou.
Regina Célia dos Santos, do Ministério da Ciência e Tecnologia, informou que o governo monitora o fenômeno e projeta possíveis impactos, especialmente no Sul e na Amazônia, alertando para o aumento de queimadas e para áreas de risco. Ela ressaltou a importância de acompanhamento contínuo e declarou: “As projeções hoje indicam um El Niño forte, mas ainda não severamente forte”.
Na sessão, participaram ainda o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que defendeu a obrigatoriedade de parâmetros climáticos atualizados em novas obras públicas, autoridades federais, municipais e representantes de organismos científicos. Recomendações serão incorporadas à cartilha do Senado sobre o tema, cuja primeira edição foi publicada em 2023.






