Da redação
O governo dos Estados Unidos anunciou, em menos de 48 horas, a imposição de sobretaxas de até 37,5% sobre produtos brasileiros. O primeiro comunicado, feito na noite de 1º de julho, previa tarifa de 25%. O segundo, divulgado em 2 de julho, acrescentou outros 12,5%, alegando necessidade de proteção comercial.
Segundo especialistas do BTG Pactual, as medidas devem ter impacto econômico restrito, pois uma extensa lista de exceções protege grande parte das exportações brasileiras, especialmente do setor agrícola. Os analistas Luiza Paparounis e Francisco Lopes apontaram que “aproximadamente 12% das exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos, o que corresponde a cerca de 2% do PIB”.
Apesar do impacto econômico limitado, o efeito político tende a ser maior. A decisão do governo americano ocorre em meio à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Ambos têm se manifestado publicamente acerca das consequências das taxas sobre a relação bilateral e o cenário eleitoral.
Lula, ministros e parlamentares governistas afirmam que o ex-presidente Donald Trump interfere politicamente ao adotar as medidas, buscando influenciar a preferência dos eleitores brasileiros a favor de Flávio Bolsonaro. Por sua vez, o pré-candidato do PL declara ter solicitado a Trump que não aplicasse as sobretaxas aos produtos do Brasil.
O momento também é marcado pela recente decisão dos Estados Unidos de classificar as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. Flávio Bolsonaro apoiou essa classificação, reforçando seu discurso na área de segurança pública, enquanto Lula critica a medida.
Esse novo episódio amplia a tensão política, com apostas de ambas as partes em ganhos eleitorais. No ano passado, medida semelhante foi anunciada por Trump, prevendo tarifas de até 50%. A expectativa é que próximas pesquisas eleitorais indiquem possíveis mudanças no cenário após as novas medidas comerciais.







