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Sudão do Sul sob risco de violência em massa contra civis, dizem especialistas


Da redação

A Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou grande preocupação diante de declarações do alto oficial militar sudanês, general Johnson Oluny, que pediu à sua milícia Agwelek “não poupar ninguém”, incluindo “crianças, idosos e civis”, ao receber ordem para avançar sobre áreas controladas pela oposição no Sudão do Sul.

O chefe da Missão da ONU no Sudão do Sul (Unmiss), Graham Maitland, classificou a retórica como “absolutamente abominável” e exigiu o fim imediato desse tipo de incitação à violência, especialmente contra grupos vulneráveis. Os apelos de Oluny foram divulgados enquanto suas forças se preparavam para atuar no estado de Jonglei, onde milhares fugiram devido à intensificação dos combates.

Somente na última semana, cerca de 180 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas em meio à ofensiva das tropas do governo contra áreas dominadas por aliados do ex-vice-presidente Riek Machar. As autoridades ordenaram a evacuação de civis, funcionários da ONU e de organizações humanitárias de três condados em Jonglei, temendo escalada do conflito.

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da ONU no Sudão do Sul, Yasmin Sooka, afirmou que a “linguagem que incita ao assassinato de pessoas fora de combate e civis, incluindo idosos, não é apenas chocante, é profundamente perigosa”. A Comissão ressaltou que nenhum líder em Juba pode alegar ignorância sobre os apelos públicos ao cometimento de crimes graves na região.

O comando militar do Sudão do Sul justificou que os civis dos condados de Nyirol, Uror e Akobo fossem transferidos rapidamente para áreas sob controle do governo “por segurança”. Na semana passada, forças da oposição ameaçaram marchar sobre Juba, aumentando o temor internacional de violência em massa contra civis no país africano.