Da redação
O surto de ebola na República Democrática do Congo apresenta uma velocidade de disseminação inédita, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde. O avanço ocorre principalmente em regiões urbanas e áreas difíceis de acesso, atingindo localidades como Ituri, Kivu do Norte, Kisangani e Haut-Uele, com 4.449 casos confirmados e 2.063 mortes registrados oficialmente até quarta-feira.
Segundo Anne Ancia, representante da Organização Mundial da Saúde no país, a resposta humanitária enfrenta obstáculos como insegurança local, desconfiança da comunidade e falta de serviços básicos. “A velocidade deste surto é única, realmente única… temos que aumentar a nossa capacidade, talvez três vezes mais rápido”, afirmou.
Ancia relata que parte da população, especialmente jovens, tem destruído centros de tratamento, o que contribuiu para espalhar o vírus para outras províncias, como Kisangani e Haut-Uele. Ela destaca que em comunidades onde faltam água potável e alimentação, doenças como malária, HIV e tuberculose agravam ainda mais a crise e tornam essencial uma abordagem integrada e não apenas centrada no ebola.
A representante da Organização Mundial da Saúde defende que líderes comunitários precisam ser incluídos no planejamento das ações e que é necessário conciliar protocolos de saúde com respeito às tradições locais, sobretudo em rituais fúnebres. O financiamento e a expansão de equipes de saúde para além dos grandes centros urbanos seguem como desafios para conter a propagação do vírus e garantir atendimento básico à população.





